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Fixos e Fluxos: Olhando Irati PR pelo prisma das vias de circulação

Para quem chega a Irati, seja em busca de oportunidades profissionais ou em decorrência da oferta de ensino superior, é de imediato surpreendido pelo alto valor das terras e consequentemente dos aluguéis em relação às cidades vizinhas.

Apenas a população acadêmica que passa a residir efetivamente na cidade não é suficientemente grande para que a demanda imobiliária suplante a oferta, tendo em vista o fato de que há uma visível expansão do número de pessoas investindo na locação imobiliária e que os acadêmicos, em grande parte, se associam em repúblicas ou residem em quitinetes. Outra alternativa menos onerosa é a locação de casas nos bairros, o que, por outro lado, contribui para a necessidade de meios de transporte para facilitar a locomoção.

Outra questão interessante, além do relevo urbano declinoso e na falta de estrutura viária que dificulta o uso de meios alternativos de transporte, como as bicicletas, é a falta histórica de planejamento na ocupação urbana. Existem muitas ruas sem saída e principalmente, ruas sem interligação eficiente com vias principais. Um exemplo é a Avenida Getúlio Vargas. Apesar de ser um importante corredor urbano, a única ligação paralela direta entre o bairro Rio Bonito e a referida Avenida são as ruas Vitória de Monte Castelo ou Abílio Carvalho Bastos, ficando entre essas duas ruas um significativo espaço sem integração.

Obviamente, dada a ocupação histórica do espaço, a instalação de empresas, de residências ou a existência de obstáculos naturais, são fatores que dificultam no presente alterações, o que impõe a necessidade de se pensar em novas vias, novos loteamentos ou qualquer outra infraestrutura, considerando estes gargalos preexistentes.




Além disso, a existência de vazios residenciais, podem, pela lógica, onerar o rateio dos custos com a disponibilização de infra-estrutura básicas, como esgoto, coleta de lixo, iluminação pública, etc. (menos pessoas para dividir o custo), além de se constituírem espaços com maior propensão à riscos de criminalidade.

Saindo da questão específica das ruas, muitos bairros, de modo geral, têm uma articulação precária. Excluindo a Rua Camacuã, a Rua das Torres é uma das únicas interligações direta do Rio Bonito com o Alto da Lagoa, exceto se houver a preferência do trajeto de maior percurso, transitando pela Avenida Noé Rebesco, passando antes pelo Bairro Lagoa.



Nas proximidades do Jardim Califórnia há outro caso interessante. Quem está na Rua 19 de Dezembro, nas proximidades da intersecção com a Rua Zeferino Bitencourt ou com a Rua Lino Esculápio, está visualmente próximo da Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz. Mas como estas ruas não tem continuidade, para chegar a este ponto é preciso seguir pela Rua 19, passar pela XV de Julho e depois seguir pela Coronel Pires até o destino, transitando pela área central da cidade, embora aqui há a delicada questão ambiental envolvida.




Outro exemplo é a Rua Trajano Grácia, que se conflui com BR 153 (Rua Expedicionário João Protezek). Ela se constitui na mais utilizada via de acesso às cidades de Rebouças, Rio Azul, etc, bem como para a Vila São João, Jardim Aeroporto, Engenheiro Gutierrez e Riozinho, tendo o agravante do elevado fluxo de veículos em certos horários pela existência da Universidade.

Para este problema pontual, estudos e sugestões já propuseram como alternativa de solução ou minimização dos problemas (que tendem a se agravar com o desenvolvimento da cidade e seus serviços, bem como com o incremento populacional e de veículos – Exemplo: futuras residências do Projeto Minha Casa Minha Vida), a utilização do transporte ferroviário como meio de locomoção para os acadêmicos da Unicentro, dando maior fluidez ao trânsito na Vila São João.

Porém, há de se pensar de que a utilização de um trem, além das limitações de horário, não poderia passar e parar em diversos pontos como fazem os ônibus em intervalos de meia ou uma hora. Um trem segue o trajeto inflexível dos trilhos, cortando áreas não residenciais, fundos de empresas, etc. tendo reduzidos pontos de embarque. Para acadêmicos que trabalham até horários próximos ao início das aulas, embarcar perto da residência ou do trabalho é uma necessidade. Os ônibus passam por diversos bairros, por diversas ruas, em diversos pontos. Além disso, muitas pessoas, por comodidade ou necessidade, utilizam transporte próprio, e independente das alternativas coletivas disponíveis, não iriam utilizar, bem como os acadêmicos de outras cidades.

Acredito que para contribuir com a solução desse problema que dá indícios de agravamento, como também para proporcionar à população os benefícios de uma integração urbana, seria interessante uma articulação eficiente e planejada entre as regiões da cidade. Por exemplo, o fluxo de veículos que se concentra na PR 153, se constitui basicamente de pessoas que se locomovem para São Mateus do Sul, Rebouças, Rio Azul, Vila São João, Gutierrez e Riozinho. Além disso, é expressivo o movimento de universitários.
A criação de uma rota alternativa, pavimentada, poderia reduzir grande parte desse fluxo de veículos, permitindo uma rota alternativa para a Unicentro, para Gutierrez, para o Riozinho e para a Vila Raquel, contribuindo, inclusive, para a integração e desenvolvimento desses bairros.


É óbvio que o relevo da cidade, a hidrografia, as propriedades privadas, entre outras situações, muitas vezes dificultam ou mesmo impedem uma ocupação eficiente e o investimento dos governos em infra-estrutura ou em espaços públicos. Porém, é inquestionável os transtornos que a falta de alternativas de acesso a determinados pontos da cidade ocasionam.

Uma interessante solução encontrada que merece ser considerada foi o eixo de integração que liga o Ginásio Municipal de Esportes, o Fórum Eleitoral, chegando até a avenida Vicente Machado nas proximidades do Estádio do Iraty. Também  merece elogio a ciclovia em construção em trecho da Rua Trajano Grácia.

É preciso destacar, entretanto, que parece haver uma contradição no que se refere aos objetivos iniciais do eixo de integração e as recentes construções de prédios públicos. Se a intenção era desviar para o local, facilitando o fluxo de veículos pesados, a construção do Fórum Eleitoral, da nova Sede da Prefeitura, de escola, entre outros prédios e  serviços já existentes na região, transformará o local em uma área de intenso de tráfego de pessoas e veículos. Dessa forma, a ideia inicial perde seu sentido prático.

Não se pode deixar de mencionar também os impactos ambientais, decorrentes da pavimentação, do fluxo de veículos, do corte de árvores, pois trata-se de um fundo de vale !

É óbvio que cabe também a população, nas formas de uso, tornar os problemas do convívio urbano mais amenos. Porém, os investimentos públicos não só reduziriam  os problemas de mobilidade, mas também reduziriam as desigualdades de caráter econômico e social, evitando a supervalorização de certos lugares e a segregação de outros, principalmente porque os investimentos públicos, arcados por toda a sociedade, devem ser direcionados em prol da coletividade, sem privilégios ou distinções.

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