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Presidente ou presidenta ?

Durante o período de campanha eleitoral e mesmo após a definição do pleito, tanto a cadidata eleita Dilma Rousseff, quanto o presidente Lula usavam em seus discursos o termo presidenta. Tal termo, utilizado como a  forma feminina de presidente abre margens para questionamentos sobre sua adequação. 

Segundo o dicionário digital Aulete, na verdade, os substantivos e adjetivos de dois gêneros terminados em -ente não apresentam flexão de gênero feminino (e nem masculino, afinal, são de dois gêneros) terminado em -a

Por esse motivo, não se diz "a gerenta", "a pacienta", "a clienta" etc. 
Caso fosse correto o uso de "a presidenta", por coerência, diríamos que "a presidenta está contenta por ser bem atendida como clienta !"

Já para o Prof. Hélio Consolaro, a predominância do masculino na língua portuguesa reflete o machismo. A título de exemplo: em uma sala com 29 mulheres e 01 homem, o orador tende a usar somente a forma masculina em  sua invocação: prezados senhores. Talvez fale prezadas senhoras e prezado senhor. 

Traria maiores constrangimentos se houvesse uma generalização para a forma feminina. 

Comparando com o passado recente, não havia feminino de presidente e nem de hóspede. Agora, depois da luta das mulheres na sociedade, os dicionários já registram e a gramática aceita os femininos: presidenta, hóspeda.

Sérgio Nogueria, também concorda que a forma presidenta segue a tendência natural de criarmos a forma feminina com o uso da desinência “a”: menino e menina, árbitro e árbitra, brasileiro e brasileira, elefante e elefanta, pintor e pintora, espanhol e espanhola, português e portuguesa.

Na língua portuguesa, temos também a opção da forma comum aos dois gêneros: o artista e a artista, o jornalista e a jornalista, o atleta e a atleta, o jovem e a jovem, o estudante e a estudante, o gerente e a gerente, o tenente e a tenente.

Há palavras que aceitam as duas possibilidades: o chefe e A CHEFE ou o chefe e A CHEFA; o parente e A PARENTE ou o parente e A PARENTA; o presidente e A PRESIDENTE ou o presidente e A PRESIDENTA…

O problema deixa, portanto, de ser uma dúvida simplista de certo ou errado, e passa a ser uma questão de preferência ou de padronização. No Brasil, é fácil constatar a preferência pela forma comum aos dois gêneros: a parente, a chefe e a presidente.

Entretanto, não se pode descartar o viés político e ideológico que a marcação feminista do termo denota. É sabido que o voto das mulheres numericamente pode definir a eleição, afinal, são a maioria da população. Além disso, há atualmente uma ênfase nos discursos que visam garantir a igualdade e o direito de acesso às mulheres aos altos cargos e funções. Nada melhor do que um símbolo "A" no final do termo para marcar ideologicamente a valorização feminina.

Enfim, a questão da presidenta será uma mera questão linguística ou uma estratégia político-ideológica ? Se bem que se tratando da Língua Portuguesa, nada é mero, pois os termos não são isentos de história e de conteúdo social.

Um comentário:

  1. O domínio público ainda não aceita bem as duas possibilidades, por exemplo: o chefe e A CHEFE ou o chefe e A CHEFA; o parente e A PARENTE ou o parente e A PARENTA; o presidente e A PRESIDENTE ou o presidente e A PRESIDENTA, o problema deixa, portanto de existir e concomitantemente o de ser uma dúvida simplista de certos ou de errados e passam a serem uma questão de preferência ou de padronização, não nos esqueçamos por exemplo da palavra recentemente inventada, IMEXÍVEL, ainda não é fácil constatarmos a preferência pela forma comum aos dois gêneros: a chefe e a presidente, já no Dicionário Aurélio, finalizamos: Presidenta – S.f. 1, Mulher que preside. 2, mulher de um presidente, no Dicionário Houaiss: Presidenta - Acepções ¦ substantivo feminino.

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