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Crise do Café e Industrialização Brasileira

O texto a seguir traz uma explanação a respeito do processo de industrialização brasileira, com aprofundamento dos conteúdos condizentes com as especificidades de uma aula (50 minutos) para o 7º ano do ensino fundamental.

Vemos que o processo de industrialização mantém relação com as temáticas vistas anteriormente pelos alunos, (como movimentos migratórios e meio rural) podendo ser retomado em suas relações com o espaço rural.


Como estudado anteriormente, a industrialização influenciou o êxodo rural, a mecanização das atividades agrícolas, etc. refletindo nos movimentos migratórios, na dinâmica das paisagens etc.

Considera-se ainda o fato de que rural e urbano não são espaços estanques ou isolados entre si, mas interdependentes. Como podemos ver na imagem 02, indústrias instalam-se nas áreas rurais, e mesmo quando urbanas, processam matérias-primas oriundas deste espaço, refletindo novamente nas condições destes espaços.

Alteram também a paisagem urbana, com suas instalações e com o fluxo que exige para a garantia de suas operações, refletindo no trânsito, na urbanização (que será tratada na sequência), nas formas de ocupação do espaço (moradias, favelas, etc.) e nos fluxos de pessoas, informação e capital.














Destaca-se também que a industrialização não se refere somente a instalação de indústrias em determinado espaço, mas diz respeito a uma atividade econômica capaz de subordinar outras atividades, inclusive a agricultura, as suas demandas. Implica também em uma crescente
divisão do trabalho, onde cada setor se especializa em produzir determinados tipos de produtos mais atrativos economicamente e com menor custo.
Consolida o trabalho assalariado e a divisão de classes (proprietários e operários) e, via de regra, utiliza os recursos da mecanização, facilitando a produção em massa.

Um exercício de familiarização dos alunos com a temática é indagá-los sobre o local de trabalho de seus pais, pedindo que eles classifiquem se a atividade é industrial, comercial, etc, tendo em vista o prévio conhecimento dos alunos sobre os setores econômicos habitualmente utilizados (primário, secundário e terciário).

Uma das formas de classificar, neste caso as indústrias, e que pode ser utilizada, é quanto o destino dos bens produzidos, segmentando-as em indústrias de base extrativa, como as madeireiras e mineradoras, em industrias de base intermediárias ou de bens de capital, que produzem peças e insumos para ser utilizados por outras empresas, como componentes eletrônicos, siderúrgicas, metalúrgicas, petroquìmicas, etc.


As indústrias que produzem bens de consumo, ou seja, produtos destinados ao consumidor final, podem ser segmentadas, por sua vez, em bens de consumo duráveis, ou seja, que tem uma vida útil significativa, como eletrodomésticos, móveis, automóveis, etc. e bens de consumo não duráveis, ou seja, perecíveis ou consumíveis com maior rapidez, como roupas, alimentos, perfumes, etc.
Como exercício avaliativo, pode-se também optar por apresentar algumas imagens de atividades industriais e solicitar que os alunos classifiquem segundo o destino dos bens.















Adentrando na questão histórica da industrialização, delimitada a partir do ciclo do café, percebe-se que, apesar de seu início insipiente se dar no século XIX, o processo começou a ter uma aumento significativo a partir do Século XX, mais especificamente, em 1930.
Enquanto o Brasil era colônia de Portugal, não houve incentivos para o desenvolvimento industrial brasileiro, ao contrário, era inibido, visando garantir que a colônica adquirisse os produtos manufaturados vindo da metrópole.
Após o desgaste do ciclo da cana, que ocupou especialmente o nordeste brasileiro, a principal produção econômica brasileira era o café, ou seja, mais um produto agrícola voltado para a exportação.

Entretanto, a produção do café exigia grandes extensões de terras e farta mão de obra. A mão de obra, inicialmente, era escrava, trazida da África para trabalhar no cultivo da cana e nos engenhos de açúcar. Porém, a escravidão começa a ser desestimulada, especialmente por pressão inglesa. Em 1850, o Brasil aprovou a Lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico negreiro. Em 13 de maio de 1888, foi decretada a Lei Áurea, abolindo a escravidão.
Estes problemas para os empresários cafeeiros tinham que ser resolvidos. No caso da mão de obra, passaram a contar com o trabalho assalariado dos imigrantes. No caso da necessidade de terras, tendo em vista que o café, pelo cultivo inadequado, exauria o solo, a cultura começou a migrar para outras regiões. Do vale do Paraíba, adentrou ao interior de São Paulo e posteriormente ocupou a chamada terra roxa do norte do Paraná.
Essa dinâmica ficou conhecida como a Marcha do Café, a qual levou também infraestrutura, especialmente de transporte, para estas regiões.

Neste contexto, a cultura do café começou a passar por algumas adversidades. Com a Primeira Guerra Mundial e posteriormente com a Crise de 1929, os países importadores de café deixaram de adquirir o produto brasileiro.
Isto porque, além de muitos países estarem com suas economias abaladas e com seus territórios devastados, dificultando tanto a produção quanto o consumo, países como os Estados Unidos, que não enfrentaram a Guerra, continuaram a produzir. Como o comércio estava estagnado, houve a formação de estoques excessivos, gerando a queda abrupta dos preços, gerando a chamada crise da superprodução.

O Brasil, neste contexto, teve suas exportações de café afetadas. O governo para evitar a formação de estoques excessivos e a queda dos preços do produtos, protegeu os interesses dos cafeicultores queimando toneladas dos produtos.

Vale ressaltar que tais cafeicultores, eram denominados de barões do café, pois faziam parte da elite econômica e política da época, em um país ainda agrário e agroexportador.
Surgiu então um período de transição, favorável ao incentivo da industrialização. A falta de mercadorias, decorrente do desabastecimento provocado pela reconstrução das economias devastadas pela guerra, as quais demandavam outras prioridades além das exportações. O Governo de Getúlio Vargas, posteriormente JK, e depois os governos militares, adotaram medidas de incentivo à industrialização.

Com o fim da escravidão e a vinda dos imigrantes (alemães, italianos, poloneses, etc.), estes, por terem experiência e conhecimento sobre atividades industriais, foram ocupados como mão de obra  assalariada, contribuindo para a dinamização das indústrias e para a formação de um mercado consumidor interno.
Destacando também que a infraestrutura que se desenvolveu para a atividade cafeeira foi utilizada como suporte para o processo de industrialização. Basta observar que foi justamente nas regiões onde a cultura do café se desenvolveu que predominou o processo de industrialização com antecedência e de forma concentrada.

O quadro ao lado resume as características da industrialização brasileira, a qual foi originada da cultura do café, implementada de forma tardia, em substituição às importações, devido às crises e ao reflexos da I Guerra Mundial. Dessa forma, priorizou-se as indústrias de bens de consumo, somente mais tarde, o governo incentivou a industrialização criando industrias como a Companhia Siderugica Nacional, Petrobrás, etc.

A concentração comentada acima está expressa no mapa ao lado, onde fica evidente que a região sudeste sedia o maior número de empresas no território nacional, especialmente o estado de São Paulo, com ênfase para a cidade de São Paulo e sua região metropolitana.

Porém, a partir dos anos de 1990, a concentração de empresas e o intenso processo de urbanização decorrente evidenciaram diversos problemas sociais e ambientais. Além disso, os incentivos fiscais de outros estados, os elevados custos dos terrenos, problemas como congestionamentos, legislações urbanas, sindicatos e alto custo da mão de obra, as empresas começaram a migrar para ouras regiões.

ATIVIDADES

1) Atividade oral:
Apresentar imagens de atividades industriais e solicitar aos alunos que a classifiquem (indústrias de base, de bens de consumo durável, não durável, etc.) Solicitar exemplos locais de cada tipo de indústria.

2) Com base nos conteúdos apresentados, na leitura do capítulo do livro didático referente à temática e com base no conteúdo apresentado no vídeo Industrialização brasileira, escreva um texto de 12 a 20 linhas, comentando como se iniciou esse processo, apontando suas causas principais e suas consequências. Cite também o que pode ser observado sobre esse processo na cidade onde você reside.





Texto Base: PROJETO ARARIBÁ. Geografia 7º ano. São Paulo: Moderna, 2007. 2ª ed.

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