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Pinheiro do Paraná e a colheita do pinhão

Segundo a Agência de Notícias do Estado do Paraná, com a chegada do outono e o início da queda das temperaturas, é tradicional o consumo do pinhão na região, e é nessa época que as araucárias começam a amadurecer as pinhas para a reprodução da espécie. Por isso, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) alerta que a colheita e a comercialização do fruto somente será permitida no Estado a partir do dia 15 de abril (Para ano de 2014. Para os próximos anos, veja a data atualizada no site do IAP)

Nesse período, qualquer pessoa que for flagrada em algumas dessas situações estará sujeita a responder a processo administrativo e a processo criminal, além de receber auto de infração ambiental. A multa é de R$ 300,00 para cada 60 quilos da semente. 

Esta questão é disciplinada pela Portaria do IAP nº 059 de 24 de março de 2014, a qual considerando a necessidade de proteger as sementes de pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia) indispensáveis para a produção de mudas e conseqüente preservação da espécie, em face da crescente escassez de pinhões e considerando o procedimento danoso ao aproveitamento florestal das próprias sementes, através de costumes predatórios antes da efetiva maturação e que necessitam ser rigidamente disciplinados, institui os procedimentos para controle da exploração do PINHÃO e define outras providências.
 
Mas que tal conhecer um pouco mais sobre a árvore da qual o Pinhão é a semente ?

Capão de mato onde o pinheiro se levanta
E a sua taça oferece ao criador
O brinde pleno de ternura e de pureza
Frente à grandeza de tão raro explendor

Esse fragmento acima da música “capão de mato”, dos Serranos, ilustra a imponência da árvore símbolo do Paraná, o Pinheiro do Paraná.

Também conhecida como araucária (Araucaria angustifólia), é uma espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista, ocorrendo principalmente
na região Sul do Brasil, mas também sendo encontrada, em quantidade menor, no leste e sul do estado de São Paulo, sul do estado de Minas Gerais, principalmente na Serra da Mantiqueira e em pequenos trechos da Argentina e Paraguai.

Ocorre entre as latitudes de 18º e 30º sul em altitudes de 800 a 1 800 m no norte de sua distribuição, e entre 500 e 1 200 m na parte sul, em regiões de precipitação anual uniforme entre 1 250 e 2 200 mm, e de temperaturas médias anuais de 10 a 18°C (mas tolera bem temperaturas de até -5°C). Prefere solos profundos, férteis e bem drenados. Também é encontrada em capões isolados em áreas de campo.

Lembrando que na maioria dos mapas, a representação da área de abrangência da mata de araucária se refere à área "natural ou primitiva" de ocorrência do domínio morfoclimático, não correspondendo, na maioria dos casos, ao atual estágio de espacialização dos remanescentes do respectivo
domínio ou elemento, no caso, árvore araucária.

A imagem do território nacional, ocupado pela área de abrangência dos diversos domínios morfoclimáticos elucida a questão.

Outra observação pertinente é que o termo "área de ocorrência natural ou primitiva" deve ser visto com ressalva, pois a área de abrangência das diversas espécies pode variar no decorrer do tempo (especialmente geológico) e em virtudes das mudanças ambientais. Exemplificando, com relação a sua origem, o gênero Araucaria fazia parte da flora terrestre já no período Triássico e encontrou seu apogeu no Gondwana

Hoje é restrito ao Hemisfério Sul. A espécie Araucaria angustifolia se originou no início do período Jurássico, há 200 milhões de anos, e sua ocorrência primitiva diverge bastante da atual, sendo encontrados fósseis no Nordeste brasileiro, onde hoje ela não ocorre. Sua expansão para o sul é recente em termos geológicos, ocorrendo durante o Pleistoceno  e o Holoceno inicial, provável resultado de mudanças climáticas.

Segundo o site Portal do Professor, ocupando uma área original em torno de 200 mil km², a partir do século XIX foi intensamente explorada por seu alto valor econômico, dando madeira de qualidade e sementes nutritivas para o consumo humano. Hoje seu território está reduzido a uma
fração mínima, o que segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) coloca a araucária em Perigo Crítico de Extinção.

Sua madeira foi de importância básica para a economia brasileira e possivelmente de toda a América do Sul, especialmente no final do Século XIX e início do Século XX.  Depois da abertura de  estradas de ferro e ramais, nas décadas seguintes, a exploração da extensa floresta de araucária paranaense se tornou economicamente viável e logo adquiriu importância.

Na mesma época se iniciava a colonização italiana nas serras do Rio Grande do Sul, aparecendo a araucária como uma das grandes fontes de renda inicial para o colono, que, vindo pobre da Europa, ao derrubar as matas, abrindo espaço para a agricultura, logo podia usar a madeira para fazer sua casa.  

Segundo a Embrapa, o fator propulsor para a exploração econômica do Pinheiro foi  a Primeira Guerra Mundial. Com a impossibilidade de importação, a araucária passou a abastecer o mercado interno e o argentino, multiplicando-se as serrarias, que se deslocavam à medida que os pinheirais de cada local se esgotavam. 

Depois da guerra foi melhorado o sistema de transporte, introduzindo-se o caminhão, livrando a indústria madeireira da dependência exclusiva da estrada de ferro e tornando a derrubada descontrolada em todos os estados da Região Sul do Brasil. Na Segunda Guerra Mundial a madeira de araucária liderou as exportações do Paraná e foi importante no processo de industrialização de outros estados.

Ainda segundo a Embrapa, especificamente no Paraná, foi somente após a abertura da Estrada da Graciosa, ligando Curitiba a Antonina, em 1873, da construção da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba, em 1885, e do ramal Morretes-Antonina, em 1891, que a extensa floresta de A. angustifolia, existente nos planaltos paranaenses, passou a ser explorada como atividade econômica importante para o estado. 

Há de se destacar ainda, que nesse mesmo período apresentava sinais de enfraquecimento o ciclo econômico da erva mate, tomando força a exploração do pinheiro-do-paraná. No bojo deste ciclo, instalaram-se no Paraná diversas indústrias, como fábricas de fósforos, de caixas e de móveis. 

Assim, o ciclo econômico do pinho terminou por volta de 1940, sendo que da primitiva floresta de pinheiro do-paraná, originalmente existente no Estado do Paraná, resta aproximadamente 1%.  Mas é inegável também a importância que a araucária exerce ainda hoje na história, cultura, hábitos e artes de várias áreas da região Sul do Brasil.

Depois de fazer parte da dieta do indígena da região, e de contribuir com a nutrição do colono imigrante na crítica época da chegada ao sul do Brasil, atualmente os pinhões são uma forma de agregação de renda ao pequeno produtor rural, auxiliando a fixação do homem na terra. Os pinhões são consumidos preferencialmente assados ou cozidos, mas com farinha de pinhão é possível confeccionar broas, tortas e pães. Também pode ser utilizado para o preparo de suflês, rocamboles e pudins, e é um prato típico das Festas Juninas. Saboreia-se também sapecado na própria grimpa ou sapé. O pinhão é elemento principal de pratos típicos e existem até festas tradicionais, como, a Festa Nacional do Pinhão de Lages e outras menores, que levam seu nome. Sua colheita, porém, é muito trabalhosa, e seu fluxo de comercialização se caracteriza pela baixíssima industrialização e pobre retorno financeiro.

Segundo o site Saúde Abril, o pinhão é rico em minerais, contendo cobre, zinco, manganês, ferro, magnésio, cálcio e fósforo, nutrientes essenciais para manter o corpo funcionando e livre de diversas doenças. É o potássio, porém, o mineral que predomina na semente, o que a transforma em uma aliada contra a pressão alta e doenças cardiovasculares.
Com relação ao fruto, no caso das araucárias, a pinha atinge proporções razoáveis, constituindo-se de uma esfera compacta com diâmetro entre 15 e 20 centímetros.
Nos meses de maio e junho, no tardar do outono do hemisfério sul, as pinhas "estouram" ao sol do meio-dia, possivelmente como reflexo da dilatação após a manhã fria. Dessa forma, os pinhões espalham-se num raio de aproximadamente cinqüenta metros a partir da planta mãe. Mas, apesar de engenhosa, esta não é a principal forma de disseminação desta notável planta. O homem e os animais que se alimentam desse pinhão também atuam no transporte e disseminação das sementes. Os serelepes costumam armazenar os pinhões, enterrando grande quantidade de sementes no solo. Essas sementes acabam sendo deixadas e assim geram novas árvores.

Apesar da crença de que a gralha-azul dissemina o pinhão, na verdade são os pequenos roedores terrestres os principais vetores.
O pinhão mede entre cinco e oito centímetros, e tem a forma de uma cunha cuja casca recobre a massa compacta e altamente proteica da semente propriamente dita.
Outro tributo a importância dessa espécie, tanto do ponto de vista histórico-econômico e social, alimentar, ecológico e até mesmo cultural, são os diversos municípios, sobretudo no estado do Paraná, cujo nome faz referência ao Pinheiro. São exemplos:  ARAUCÁRIA, PINHÃO, PINHAIS, SÃO JOSÉ DOS PINHAIS e até mesmo CURITIBA, cujo significado em Guarani é "muito pinhão", já que Curi era o nome dada à araucária pelos indígenas.

Nome Científico: Araucaria angustifolia
Nomes Populares: Pinheiro-do-paraná, Araucária, Curi, Pinheiro-brasileiro, Pinheiro-caiová, Pinheiro-das-missões, Pinheiro-são-josé
Família: Araucariaceae
Categoria: ÁrvoresÁrvores FrutíferasÁrvores Ornamentais
Clima: SubtropicalTemperado
Origem: América do SulBrasil
Altura: acima de 12 metros
Luminosidade: Meia SombraSol Pleno
Ciclo de Vida: Perene


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