O presente texto trará uma abordagem inicial sobre o que é Globalização, sua origem histórica e os principais aspectos sob a perspectiva econômica.
GLOBALIZAÇÃO: UM CONCEITO INICIAL
A globalização
é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural,
política, que teria sido impulsionado pelo barateamento dos meios de transporte
e comunicação dos países no final do século XX e início do século XXI. É um fenômeno
gerado pela necessidade da dinâmica do capitalismo de formar uma aldeia global
que permita maiores mercados para os países centrais (ditos desenvolvidos)
cujos mercados internos já estão saturados. Mantém forte relação com os avanços nas áreas de transporte e de telecomunicações.
Os norte-americanos (EUA)
usam a expressão globalização, os franceses preferem mundialização e em outras
sociedades a expressão usada é internacionalização. O fenômeno da globalização
resulta de três aspectos ou forças: a revolução tecnológica, a interdependência
dos mercados financeiros em escala planetária e a formação de áreas de livre
comércio
VISÃO HISTÓRICA. Quando
surgiu a globalização?
Estudiosos defendem que a
origem da globalização remonta à segunda metade do século XIX, aproximadamente,
quando as grandes economias capitalistas iniciaram a primeira grande onda de
investimentos no exterior, inaugurando o que se chamou de imperialismo
Outros autores apontam que a
globalização é um fenômeno bem mais antigo, que surgiu com as Grandes Navegações dos séculos
XV e XVI, a partir das quais exploradores, burgueses e governantes europeus
submeteram as terras conquistadas do chamado Novo Mundo à dinâmica da política
econômica mercantilista
Há ainda aqueles que remontam as origens da globalização com os primeiros contatos dos mercadores (Navegadores
Fenícios) com outros povos, levando produtos e especiarias de um lugar para
comercializar com outros, influenciando estes povos mutuamente em seus aspectos
econômicos e culturais.
O início da Globalização gera
discordância quanto ao momento histórico de seu surgimento. Porém a datação
mais significativa e aceita é o fim da década de 1980, onde o mundo era influenciado
antagonicamente pelo modelo capitalista e
socialista. O que estamos vivendo hoje é a vitória do sistema que ganhou
esta guerra: o capitalismo,
que é um sistema produtivo, que usa dois outros sistemas auxiliares atualmente:
O sistema neoliberal e uma rede de informações que garante os diferentes fluxos
pelo mundo inteiro. Eis aí a globalização.
A globalização é a fase mais
avançada do capitalismo. Com o declínio do socialismo e da Ordem bipolar de organização do espaço mundial com o término
da Guerra Fria, o sistema
capitalista tornou-se predominante no mundo.
Em seu processo histórico,
sistema capitalista caracterizou-se sucessivamente, por diferentes fases ou
etapas, entre elas, o Capitalismo Comercial, o industrial e o financeiro. Veja estas fases, a globalização e o papel do Estado continuando com a leitura dessa texto.
CAPITALISMO COMERCIAL

Em outras palavras, estes
países definiram Colônias nos
territórios conquistados, onde exploravam a força de trabalho e as riquezas
naturais, permitindo a acumulação de capitais para o posterior investimento nas
atividades industriais. (Acumulação primitiva de capital).
Caracterizava-se então a
primeira Divisão Internacional doTrabalho. As Colônias forneciam basicamente as matérias primas e
adquiriam a preços maiores os produtos manufaturados da Metrópole (País colonizador, via de regra, país mercante
europeu).
CAPITALISMO INDUSTRIAL
No período do Capitalismo Industrial, que se
estendeu da segunda metade do Século XVIII até o final do século XX, ocorreu a Revolução Industrial. O
comércio ultramarino e a produção artesanal ou manufatureira deu lugar a
produção de mercadorias industrializadas em larga escala, elemento
preponderante na acumulação de riquezas.
Lembrando que com a Revolução
Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com
profundo impacto no processo
produtivo em nível econômico e social. Iniciada
no Reino
Unido em meados do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir
do século XIX.

Ao longo do processo, a era da agricultura foi superada,
a máquina foi superando o trabalho humano, uma nova relação
entre capital e trabalho se impôs, novas relações entre
nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa.
Essa transformação foi possível devido a uma combinação de
fatores, como o liberalismo econômico, a acumulação de
capital e uma série de invenções, tais como o motor a vapor. A
Revolução Industrial é comumente dividida em 3 partes: primeira (1780-1830,
empregando o carvão, o vapor e o ferro), a segunda (1860-1945, com o
desenvolvimento do aço e o uso da energia elétrica), chamada de Revolução Tecnológica, e
terceira (1970-), também chamada de Revolução Digital
Neste período, a economia
das potencias européias passou a ser regida pelo Liberalismo (Adam Smith, 1723 – 1790), doutrina que
se baseava na idéia de livre concorrência, ou seja, com a mínima ou inexistente
interferência ou regulamentação na dinâmica do mercado, equilibrada pela leida oferta e procura (Quando a demanda por um produto for
maior que sua oferta, os preços tendem a aumentar, equilibrando o mercado. Da
mesma forma, quando a demanda é pequena, os preços tendem a diminuir para
estimular o consumo e restabelecer o equilíbrio.)
Essa fase do capitalismo
consolidou a Divisão Internacional do Trabalho, com a diferença de que, com a
produção industrial em escala maior, as Metrópoles puderam ampliar a venda de
produtos industrializados para as Colônias, enquanto adquiriam matérias primas
baratas, sobretudo pelo incremento das áreas de plantation (monoculturas para exportação) e de
mineração.
Firmava-se então a
subordinação econômica e tecnológica das Colônias às potenciais européias,
cujos lucros permitiam que estas reinvestissem o capital no desenvolvimento
tecnológico e industrial, favorecendo a fase do capitalismo financeiro.
CAPITALISMO FINANCEIRO
Com o advento do Capitalismo Financeiro ou monopolista, a partir do inicio
do Século XX, evidenciou-se o processo de concentração de capital em poder de
um número restrito de empresas, configurando os denominados monopólios (açambarcamento de um
mercado para a imposição de preços ou de condições privilegiadas).
Neste contexto, os bancos
passaram a desempenhar um papel destaque na economia, financiando os setores
econômicos (agrícola, industrial, comercial e de serviços). Como estratégias,
muitas empresas passaram captar recursos negociando suas ações em Bolsas de
Valores. Com isso, as empresas passaram a captar e se valer dos recursos de
milhares de grandes e de pequenos investidores que financiam suas operações com
a perspectiva de obterem lucros com a valorização dos papeis.
Parte das empresas que se
consolidaram nessa fase transformaram-se em corporações multinacionais ou transnacionais, via de regra, Norte
Americanas, Européias ou Japonesas.
Nesta fase, a Divisão Internacional do Trabalho
se tornou mais complexa. Por um lado, os países desenvolvidos, investindo em
Pesquisa e desenvolvimento, produzindo produtos industrializados em seu território ou
adquirindo partes da produção de países com mão de obra mais barata ou que
oferecem outros atrativos. De outro lado, os países subdesenvolvidos (ex Colônias),
divididos entre países que produzem exclusivamente matérias primas e países
tardiamente industrializados, que produzem bens para o mercado interno e para
exportação, mas via de regra, de forma dependente de tecnologia e que demandam
maior quantidade de trabalho.
Neste contexto, há de se
considerar ainda a atuação do Estado. Embora o modelo econômico vigente na
maioria dos países capitalistas tenha tendências neoliberais, a regulamentação
e o protecionismo do Governo é presente em muitos países, tanto desenvolvidos
quanto subdesenvolvidos.
REVOLUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
Esse contexto consiste
naquilo que os estudiosos denominaram de 3ªRevolução Industrial ou Revolução Técnico-científica, consolidando o
atual estágio de globalização do espaço mundial, especialmente no que se refere
aos aspectos econômicos. Essa conformação se deve aos avanços e à efetiva
integração da Ciência, da Tecnologia e da Produção, onde as inovações e
descobertas científicas são rapidamente convertidas em inovações tecnológicas e
aplicadas ao processo produtivo, com a perspectiva de aumentar a produtividade (produzir mais com
a utilização de menos recursos, sejam quais forem), reduzir os custos e
aumentar o lucro.
Destaca-se, porém, que no
sistema capitalista, as empresas competem entre si, e a redução de custos como
fator de competitividade é uma imposição para a continuidade das empresas,
favorecendo os consumidores de um lado, mas impondo uma lógica de exploração
(dos recursos, da força de trabalho, etc.) mais intensa de outro, retroalimentando
o ciclo.

O par transporte e
comunicação também são setores vitais para a consolidação do espaço geográfico
globalizado, ao reduzirem tempo e abreviarem as distâncias com a correspondente
redução de custos. Citando como exemplo o transporte de cargas, em 1920, o
custo da tonelada transportada por navio era de 95 dólares. Em 1990 esse valor não ultrapassava os 30
dólares. Você saberia dizer o custo médio da tonelada atualmente ?
Em termos de telecomunicação,
as chamadas telefônicas em 1990 eram em torno de 90% mais baratas em relação
aos preços de 1970.
Essas condições, como as
facilidades de transporte, de comunicação, o massificação da internet, entre
outras inovações facilitam o comércio internacional, promovem a mobilidade de
pessoas e o intercambio de informações (desde financeiras, como dados
bancários, até aspectos culturais).
Nesse sentido, o termo
globalização começa a ganhar forma, à medida que várias partes do globo, apesar
das especificidades, se integram a uma mesma lógica, consumindo os mesmos
produtos, ouvindo as mesmas músicas, trocando informações em tempo real,
transmitindo e assimilando aspectos culturais externos, como também criando
pontos de resistência cultural, em processo às vezes contraditório.
GLOBALIZAÇÃO NO BRASIL E NA AMÉRICA LATINA
O Brasil está totalmente
inserido nesse contexto global. Suas raízes estão pautadas na abertura
econômica com Juscelino Kubitschek, no grande investimento estrangeiro durante
a Ditadura Militar e, mais profundamente, com a implementação da política
neoliberal no início da década de 90.
Politicamente a globalização
recente caracteriza-se pela crescente adoção de regimes democráticos. A título de exemplo, na América do Sul, na
década de 70, somente a Venezuela e a Colômbia mantinham regimes civis eleitos.
Todos os demais países eram dominados por militares ( personalistas ou
corporativos). Enquanto que nos finais dos anos de 1990, não havia nenhuma
ditadura na América do Sul.
Neste processo de
universalização da democracia as barreiras discriminatórias ruíram uma a uma
(fim da exclusão motivada por sexo, raça, religião ou ideologia), acompanhado por
uma sempre ascendente padronização cultural e de consumo.
Segundo relatório da ONU
- Cilada da Desigualdade (2005) - os 20%
mais ricos do mundo são responsáveis por 86% do consumo global, os 20% mais
pobres, por apenas 1%. O relatório ainda informa que o
Brasil tem a pior defasagem de renda do mundo, com a renda per capita dos 10%
mais ricos superando em 32 vezes a dos 40% mais pobres.
O documento mostra dados
positivos, como a melhora da desigualdade global, medida pelo índice de Gini
(quanto maior, pior) nas últimas duas décadas, e a proporção da população
mundial vivendo na extrema pobreza (renda per capita inferior a US$ 1 por dia),
que caiu de 40% para 21% entre 1980 e 2000.
O PAPEL DO ESTADO ?
Estados, enquanto
instituições que deteriam o poder na sociedade sobre as mais diversas esferas
(como a econômica), vão diminuindo sua presença nas decisões, tornando-se
“mínimos”. Assim como os demais agentes econômicos, o próprio Estado também se
submeteria às leis do mercado, preocupando-se com questões como mercado
financeiro, balanço cambial, competitividade internacional, entre outros
aspectos do universo do capital.
Surgiram os chamados Blocos Econômicos, como a União
Europeia e o Mercosul, para citar apenas dois, os quais teriam como finalidade
criar condições para melhor comercialização entre seus membros, dada a situação
de interdependência das economias. Vale lembrar que nesse contexto (e desde o
final da II Guerra), instituições como a ONU, a OMC, o FMI, entre outras, têm
desempenhado papéis fundamentais nas relações internacionais no âmbito dos mais
diversos assuntos de interesse mundial.
Assim, sobre a globalização,
pode-se afirmar ser um processo de duas vias: se há avanços por um lado (como
no tocante às relações sociais, ao intercâmbio cultural e à possibilidade de
uma maior troca comercial), há retrocessos pelo outro (como o aumento da
miséria e da desigualdade social, da intolerância religiosa e cultural, a perda
de poder dos Estados em detrimento das grandes corporações multinacionais). Embora,
alguns autores (Milton Santos, por exemplo) defendam que a globalização e o
capitalismo, não subestimam as fronteiras, mas fazem delas instrumentos para a
reprodução do capital.
Mas aqui não se esgota o
assunto. Agora é com você. Leia mais, pesquise, discuta.
* Leia 6 ideias falsas sobre a Globalização
* A globalização e seus malefícios
* A Globalização e o desenvolvimento
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RESPONDA AS ATIVIDADES ABAIXO
Atividades
Faça um glossário com as
palavras que desconhece, consultando o dicionário.
1) Descreve com suas
palavras, o que você entendeu por “Globalização” e como se originou esse
processo.
2) Aponte os pontos positivos
e negativos da Globalização
3) Explique como a Globalizou
afeta sua vida
4) Em um folha em branco,
monte uma cruzadinha (para facilitar pode utilizar as palavras grifadas no
texto), sendo 4 palavras na horizontal e 4 palavras na vertical. Abaixo,
coloque as "dicas" sobre as palavras que compõe a cruzadinha. Elabore
no caderno um gabarito com as respostas da cruzadinha que deverá ser mantido em
segredo. Aguarde mais instruções.
(Nesta atividade, os alunos
irão montar a cruzadinha e trocar com o colega, fazendo uma espécie de desafio.
Depois de respondidas, as cruzadinhas são destrocadas e o autor corrige as
respostas do colega).
Para facilitar o
entendimento, tanto da atividade, quanto dos conceitos, o professor monta no
quadro uma cruzadinha com os alunos, para que eles entendam a lógica da
atividade, e tirem dúvidas quanto aos conceitos.
Fonte dos dados:
Sites diversos: Sua pesquisa.com, Brasil Escola, Uol, etc.
Livro Didáticos do Ensino Médio - Levon Boligian e Andressa Alves
Fonte dos dados:
Sites diversos: Sua pesquisa.com, Brasil Escola, Uol, etc.
Livro Didáticos do Ensino Médio - Levon Boligian e Andressa Alves
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