Nego bom não se mistura

Lembro-me que na infância, um vizinho entusiasta da música gaúcha tradicionalista, ouvia algo assim: "tem coisas que não me agrada, mas minha paciência atura", e seguiam os versos da música do Crioulo dos Pampas (Carlos Roberto Monteiro), mas o refrão que se repetia é o que virou jargão popular: "nego bom não se mistura". 

Pelo teor da música, trata-se de uma forma de enaltecer o gaúcho autêntico, como dizem hoje, o homem raiz, que não se corrompe por opiniões externas, que é patrão de sua própria vida. 

À primeira vista, para quem não a conhece, pode entender que a frase fala de segregação racial, por exemplo, mas de fato é comportamental e ética. 

Da mesma forma, a palavra nego neste contexto, representa o peão, sujeito comum, não tendo qualquer relação com cor ou etnia. Deriva do cancioneiro antigo, culturalmente anterior às atuais categorias de análise identitárias.

Um conto para a 10ª coletânea SESC: meu amigo boitatá

Texto classificado no Edital de Seleção de Contos Inéditos para a 10ª Coletânea Sesc de Contos Infantis. Livro lançado na 44ª Semana Literária SESC e Feira do Livro, em Curitiba, em agosto de 2025.

O folclore brasileiro: uma introdução

O folclore brasileiro é repleto e rico de lendas e mitos que permeiam a imaginação das pessoas. Soma-se a isso os resquícios de uma sociedade rural, a cultura indígena — muito relacionada com a mata e fenômenos naturais — e a forte crença místico-religiosa, mesclada à rica imaginação do povo brasileiro.

10ª Coletânea Sesc
de Contos Infantis
Assim, até hoje, os mitos e lendas permanecem vivos no nosso folclore e nas rodas de conversa. E, quando se trata dos famosos causos de assombração, a quaresma parece fertilizar ainda mais esse terreno de imaginação e misticismo.

Duas dessas lendas, muito comuns em nossa região, são a do lobisomem e a do boitatá, ambos conhecidos por serem criaturas sobrenaturais que “aparecem” em praticamente todas as regiões do país, com suas variantes. Enquanto o lobisomem é um ser que se transforma de humano em lobo durante as noites de lua cheia, o boitatá é descrito, na tradição Tupi, como uma cobra de fogo ou um facho cintilante que protege as florestas — embora, em algumas versões, derive da alma de pessoas ruins que cometeram certos pecados, como o adultério entre compadres e comadres.

Características culturais da região

Também é uma tradição e um traço cultural de nossa região o ofício das benzedeiras. Principalmente nas comunidades interioranas, essa figura fazia

A necessidade de integração inter-bairros em Irati

Irati é um município paranaense (em Santa Catarina existe um município homônimo) com uma área territorial de aproximadamente 999 km², com mais de 61 mil habitantes (dados do IBGE 2021), apresentando, portanto, uma densidade demográfica de quase 57 habitantes por km². A média do Paraná está em torno de 54 habitantes por km². 

Segundo a regionalização adotada pela Lei IBGE e pelo IPARDES, Irati é integrante da Mesorregião Sudeste do estado do Paraná.
De acordo com o Plano Diretor de Irati – volume 1 (2010), a topografia é ondulada, sendo mais plana na região leste e centro-leste. 

Apresenta bastante desníveis na área urbana, o que implica a necessidade de recortes ou aterramentos nos terrenos, especialmente para finalidades habitacionais. A área urbana é marcada ainda por ser cortada pelo Rio das Antas e também pelo Rio Bonito.

Demograficamente, tem um significativo percentual da população residindo na área urbana (80%), gerando um significativo contraste com outros municípios vizinhos, que preservam em torno de 50% da população no campo, como Fernandes Pinheiro e Rio Azul, cuja população urbana é de 35% e 36% respectivamente.
Importante fator de mobilidade e de gargalos na circulação urbana, a disponibilidade de veículos, segundo o IBGE (2022), é de 25 mil automóveis e de 6,4 mil motocicletas.


Quadro 01 – Número de veículos

Com relação ao número total de veículos (automóveis, motocicletas, caminhões), o quadro a seguir traz um comparativo entre os municípios vizinhos.

Ganha destaque também nesta equação o acesso da mulher

Meu 2º livro: Vozes do Verbo - um álbum de opiniões sobre tópicos regionais

O livro “Vozes do Verbo: um álbum de reflexões e opiniões sobre tópicos regionais” é o segundo livro lançado pelo autor, Haroldo José Andrade Mathias. O primeiro deles: “Fatores que impactam no processo de precificação” ( clique aqui para acessar a versão em PDF ou aqui para acessar o Flipbook) tratou de uma temática empresarial, e embora voltado para esta área, permeou entre os conceitos técnicos uma análise crítica e social sobre o papel empresarial, trazendo pontos de vista e um convite à reflexão sobre a função social das atividades produtivas.

O atual livro também manteve essa perspectiva de análise crítica, porém com um conteúdo mais abrangente. Este leque facilitou e praticamente impôs a necessidade de uma apreciação crítica e sistêmica dos fatos, na busca de uma visão dialética de tantos elementos distintos que se contrapõem e formam nosso contexto de vida.

Uma característica comum em ambos os livros é o fato de serem preparados em todas as suas etapas pelo próprio autor. Todo processo de escrita, de elaboração ou disposição dos elementos gráficos, revisão textual, diagramação, etc. foram feitos pelo próprio autor.

Embora neste processo amador, de busca de informações para solucionar as dúvidas, da falta de recursos técnicos ou profissionais, possam ficar falhas, o importante está além do resultado material, mas no aprendizado ocorrido neste processo de cumprir todas as etapas de produção.

Visando a máxima redução de custos, pois todas as despesas foram arcadas pelo autor, sem qualquer forma de financiamento ou patrocínio, poucos exemplares impressos serão produzidos. Porém, valendo-se dos recursos digitais disponíveis e acessíveis atualmente, se fará também gratuitamente a distribuição do material

Como ficar rico

A indústria das “dicas para ficar rico” vende uma ilusão conveniente. E isso sim é oportuno para realmente enriquecer alguns coachs / personalidadesautores de livros milagrosos e cristalizar a ideologia meritocrática no seio social. 

Não vou adentrar aqui no tal mindset vencedor, no "basta querer e se esforçar", entre outros chavões. Isso é muito mais motivacional (ou ilusório) do que prático. Para simplificar, basta analisar os conselhos práticos, mais realistas e plausíveis. E mesmos assim, de cada dez dicas destas, nove se resumem a economizar. Ou seja, apenas gastar menos ou mais racionalmente.

Isso não é enriquecer, é apenas sobreviver com mais controle e, talvez, maior grau de segurança. Mas para quem ganha um ou dois salários mínimos (grande parte das pessoas com renda), a margem é tão estreita que a economia, mesmo que fransciscana ou drástica, pouco altera o destino. 

Obviamente, é melhor que o endividamento, mas não vai possibilitar ampliar o padrão de consumo. Afinal, a condição de existência do capitalismo é a desigualdade e o consumo sem freio. E normalmente quem sonha ficar rico é justamente para ampliar o leque de consumo quantitativa e qualitativamente. E as dicas que predominam, ao contrário, exigem redução no curto e médio prazo, para uma possível e hipotética elevação futura. 

Mas isso não responde a pergunta central: enriquecer para quê, a que modo, a que custo? 

Um convite à leitura do meu 1º livro: Reflexões sobre os fatores que impactam no processo de precificação

Por que elaborar um livro ?

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A elaboração do trabalho em pauta: "Reflexões sobre os fatores que impactam no processo de precificação" consistiu em literalmente colocar no papel um um objetivo que alimento há vários anos, de publicar algo que talvez possa contribuir com determinada problemática social e materializar uma temática que desenvolvi durante minha trajetória acadêmica e que tem significativo impacto na realidade empresarial. O impulso decorreu de considerar relevante compartilhar as ideias que desenvolvemos, sejam elas fruto das experiências pessoais, da visão particular de mundo, do arcabouço teórico e intelectual que alicerçamos com as experiências, leituras e com as pessoas com as quais interagimos ao longo dos anos...

Compartilhar ideias, se expressar, satisfazer o gosto por pensar, escrever e repensar, foi o que me levou a criar este blog simples, esteticamente falho, mas eficaz em cumprir o objetivo: expressar ideias. Da mesma forma, como meio

Veiculação de informações sobre educação no trânsito em emissoras de rádio e TV


Os condutores tiram sua habilitação e, aos poucos, vão se esquecendo de algumas regras básicas, principalmente as referentes à cortesia e à educação no trânsito, aquelas cuja infração não tem uma sanção que pese no bolso de forma tão drástica em relação a outras formas de imprudência, mas que da mesma forma, comprometem a segurança de todos os usuários das vias. 

Seria interessante que as emissoras de rádio e de TV fossem estimuladas ou obrigadas a veicular, algumas vezes por dia, dicas de como se comportar no trânsito, tanto para motoristas, quanto para ciclistas e pedestres. 

Informar regras, infrações, citar a legislação, enfim, seria uma forma de conscientizar informando, pois assim, diariamente, todos seriam lembrados ou aprenderiam as regras para um trânsito mais seguro.

Além disso, tal divulgação atingiria um público alvo extremamente importante: o pedestre e os ciclistas. Além de serem os elementos mais frágeis no trânsito, muitas vezes por falta de consciência ou mesmo de orientação desrespeitam as leis, colocando a si e a terceiros em risco. Além de que, a divulgação alcançaria ainda a parcela daqueles usuários que desconhecem as formas adequadas de se comportar e para os quais a informação seria importante na conscientização.

Creio que a conscientização, e a paralela fiscalização e imposição de penas mais inibidoras, são medidas relevantes para a conscientização no trânsito e para a redução dos inúmeros acidentes, dos quais embora alguns não sejam fatais, de uma forma ou de outra, geram custos ao sistema de saúde, aos órgãos públicos e impõem custos aos envolvidos, além de dolorosos processos de recuperação, nem sempre satisfatórios. 

Lei de Terras e Lei do Boi: Só há ataque aos auxílios e cotas sociais quando beneficiam os pobres?

Uma das características marcantes do Sul do Brasil é a forte presença da imigração europeia e, no meio rural, ainda hoje, há predominância das pequenas propriedades rurais. A policultura também teve destaque no desenvolvimento, embora hoje o êxodo rural e a urbanização tenham ganhado força.

https://abcdoabc.com.br/as-terras-da-colonia/
Historicamente, isso não ocorreu por acaso. Além do clima, solo, e de traços culturais dos imigrantes que aqui chegaram, houve política pública com esta intencionalidade. 

Terras foram doadas a imigrantes europeus como estratégia de colonização, ocupação territorial e fortalecimento econômico, sendo posteriormente divididas entre herdeiros, perpetuando a posse até a atualidade e dando destaque a muitos sobrenomes hoje conhecidos.

Na prática, tratou-se de uma das primeiras grandes políticas sociais do país, porque não dizer, assistencialista. Entretanto, ao contrário da atualidade, onde programas sociais de distribuição de renda, muito menos generosos, são atacados, não há uma crítica amplamente discutida a respeito da questão das terras. 

Tratou-se de uma transferência patrimonial direta, garantida pelo

Construção Social da Contabilidade – das bases Histórico-Geográficas à Teoria Geral de Sistemas

RESUMO

Essa abordagem teórica não objetiva apontar os aspectos epistemológicos da Contabilidade, mas a dinâmica de adequação desta ciência na satisfação das necessidades de seus usuários no específico contexto socioeconômico e cultural de cada época e lugar, tratando-a como um processo histórico e geograficamente construído. Posteriormente, aborda-se o conceito e as características da informação gerencial, em  uma perspectiva baseada na Teoria Geral de Sistemas, condizente com a rapidez, volatilidade e integração do atual contexto empresarial.

Palavras-chave: Contabilidade, origens, informação, adaptação, necessidades.

O texto completo foi publicado na Revista P@rtes e pode ser acessado clicando aqui.


BASES HISTÓRICAS DA CONTABILIDADE

viviadm.blogspot.com
Como uma das formas de delinear a evolução histórica da Contabilidade, Beuren (2003) citando vários autores, tais como Melis, Van Breda e Hendriksen, define a cronologia da Contabilidade em quatro fases: Contabilidade no mundo antigo, Contabilidade no mundo medieval, Contabilidade no mundo moderno e Contabilidade no mundo contemporâneo.

A Contabilidade no mundo antigo abrange desde os primórdios da história até por volta do ano de 1200 d.C. Conforme observa Iudícibus e Marion (1999, apud Beuren 2003, p.23) “a Contabilidade surgiu para atender a necessidade de avaliar a riqueza do homem [...] em uma época que ainda não existiam números, escrita ou moeda.”

O início da história da Contabilidade tem um passado remoto, que se iniciou com a própria história da civilização. De acordo com Sá (1961, p. 21), a história da Contabilidade está “presa às primeiras manifestações humanas da necessidade social de proteção à posse e de perpetuação e de interpretação dos fatos ocorridos”.

www.historiamais.com
Porém, foi na Suméria que a Contabilidade teve um significativo desenvolvimento de seus métodos, sendo por isso, segundo Sá (1961), considerada o berço da escrituração contábil. 

Figueiredo (2004) cita que o desenvolvimento do papiro e do cálamo no Egito antigo facilitou o registro de informações sobre negócios. E foi por meio da utilização de registros, que o homem teve condições de conhecer e antever as suas reais necessidades de consumo e de produção. Ou seja, a capacidade do homem de planejara suas atividades, antevendo e se preparando para situações, carrega em si as causas e as conseqüências do seu próprio desenvolvimento enquanto ser humano e conseqüentemente, afetando as

Entre o Púlpito e o Palanque: a Religião como Ferramenta de Poder e o Desafio da Esquerda Brasileira

A assertiva “o Brasil é um país religioso” pode ser comprovada tanto estatisticamente, através dos dados demonstrados pelos Censos do IBGE, quanto pela riqueza cultural derivada da religiosidade, tanto institucional quanto popular.

Destaca-se que a religiosidade popular não se dá de forma linear aos dogmas institucionais, nem é um subconjunto da religião institucionalizada.

Fonte: https://osdivergentes.com.br/

A religiosidade popular é complexa. Ela se mostra como espaço de resistência (Candomblé). Por vezes, é dependente ou derivada da religiosidade oficial; às vezes, autônoma; e, em certos casos, produto de amálgama cultural (Umbanda). Mescla-se com crenças e culturas locais, com interpretações diversas sobre os fenômenos sociais e naturais (xamanismo, nandarecó), com o contato com povos de outras religiosidades, inclusive globais (budismo, islamismo, etc.), em um sincretismo culturalmente enriquecedor. Às vezes, é apenas uma maneira peculiar de praticar a religiosidade no vácuo deixado pela institucionalização da fé (benzedeiras).

Já a religião institucional, de certa forma, é imposta, embora hoje essa assertiva possa ter perdido a força. Ela tem dogmas criados em contextos específicos, regras, liturgias e significações previamente determinadas que precisam ser seguidas. Mais molda do que se adapta aos sistemas sociais onde se instala. Tem uma visão de mundo própria (mas não isenta), embora estejam incluídos em seu arcabouço valores éticos universais.

Para destacar o poder e a influência da religião institucionalizada, mais precisamente do catolicismo, basta considerarmos que, com a

Tradicionalismo gaúcho no Paraná

Estereótipo do gaúcho
https://blog.indumentariagaucha.com.br/site
Mesmo em Irati, uma cidade marcada pela presença de descendentes de imigrantes europeus (que povoaram os três estados do Sul, em suma) e de migrantes, especialmente do Rio Grande do Sul, (como muitas das cidades erigidas ou influenciadas pelo Tropeirismo), e mesmo considerando que temos um dos maiores rodeios crioulos do Brasil, perguntar se “existe gaúcho nascido no Paraná” pode parecer uma indagação muito estranha. Afinal, paranaenses são os habitantes do Paraná, e gaúchos, os habitantes do Rio Grande do Sul. 
 
Mas o fio que causa o enredo é que historicamente as coisas nem sempre foram assim.
 
O termo “gaúcho” se refere não somente a um povo, ou a um gentilício, mas a um modo de vida que antecede a atual divisão política dos estados. Aliás, tudo depende do contexto em que se aplica determinada palavra (eis a riqueza da Língua), sem mencionar ainda as influências culturais que não conhecem fronteiras, que se mesclam, se transformam, que originam outras manifestações, etc.
 
O texto que se segue buscou, a princípio, responder esta pergunta: Existe gaúcho nascido no Paraná?
Para tanto, esboçou como justificativa o fato de que uma das aplicações do termo "gaúcho" serviu historicamente como designação para os povos que habitavam a região dos pampas, não tendo nenhuma (Continua...)

Parque do Monge João Maria, em Rebouças, espaço de conscientização ambiental e saberes tradicionais

A dinâmica caótica, urbana e estressante da vida moderna trouxe e naturalizou nas relações sociais as visões de vida mais frias, individualistas, mediadas pela tecnologia. 

Foto do parque do Monge João Maria, em Rebouças
Hoje, pais e mães trabalham o dia todo, estendendo muitas vezes as jornadas para além de 08 horas diárias, dedicando sábados e domingos ao trabalho. As crianças, obrigatoriamente são encaminhadas às escolas aos 4 anos, porém, muito antes disso, por necessidade, muitos dos pais procuram Centros de Educação Infantil, onde as deixam o dia todo.

Após o expediente laboral, além das rotinas domésticas, do cuidado com a família e consigo, o trabalhador em regra precisa dedicar novamente tempo para o trabalho, ou seja, para se manter apto, qualificado, atraente para o mercado que descarta sem dó, fazendo cursos e atualizações, isto quando não precisa resolver questões trabalhistas fora do horário de expediente ou fica de sobreaviso.

O que resta para o lazer, para o descanso físico ? E me restrinjo ao descanso físico, porque o descanso mental é ainda uma questão mais delicada ante diversas preocupações e pressões que paulatinamente fomos aceitando como natural, como sinônimo de eficiência e de produtividade na busca pelo suposto crescimento meritocrático.

A falta de tempo tornou-se o mantra predominante. Os períodos de contemplação, descanso, lazer e de crescimento individual e espiritual, dentro de uma lógica produtivista, passaram a

Mestrado diurno: a pós-graduação ainda vive no século XX

A pós-graduação stricto sensu no Brasil ainda carrega uma marca de exclusividade que já não condiz com o tempo em que vivemos.

O modelo tradicional, com aulas e atividades concentradas em turnos diurnos, parte da suposição cada vez mais distante da realidade: a de que o estudante de mestrado é alguém com disponibilidade integral, desvinculado de obrigações profissionais e familiares.

Na prática, isso exclui uma enorme parcela dos potenciais candidatos. Basta considerar as estatísticas que revelam que o Brasil tem record de trabalhadores graduados, segundo o G1. Sabemos também que a taxa de desemprego para quem tem ensino superior é a mais baixa. Portanto, são profissionais que desejam continuar estudando, mas que não podem simplesmente abrir mão de seu sustento para fazê-lo.

A equação é simples: ou trabalham, ou estudam. O mestrado diurno, nesse sentido, acaba se tornando um privilégio.

E aqui não se trata apenas dos professores que lecionam no período diurno e, por isso, não conseguem encaixar um mestrado em sua rotina. Falo também de engenheiros, jornalistas, advogados, enfermeiros, arquitetos, gestores públicos e privados, cientistas sociais... Todos enfrentam a mesma barreira: a falta de alternativas que conciliem o trabalho diurno com o desejo legítimo de avançar academicamente.

Enquanto isso, o valor simbólico da graduação mudou. Com a

Empreendedor: um conceito ideológico e enganador?

Nos últimos anos, tornou-se comum ouvir que “todos são empreendedores”. Do motorista de aplicativo ao vendedor ambulante, do microempreendedor individual ao trabalhador que presta serviços por demanda, a revendedora de cosmético, quem vende doces no sinal, etc. Todos passaram a carregar o título que, por muito tempo, foi reservado aos grandes capitalistas.

Trabalhadores informais e o mito do empreendedorismo

Não estamos discutindo a importância, valor ou nobreza do trabalho. A questão é o termo para designar estes trabalhadores, o qual passou por uma mudança.

Mas essa transformação semântica não é neutra. Pelo contrário, é um dos maiores golpes ideológicos contra a consciência de classe no mundo contemporâneo.

O economista Joseph Schumpeter, considerado um dos expoentes do liberalismo no século XX, já deixava claro em sua obra Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942) que o empreendedor era aquele que assumia riscos por meio da aplicação de capital. Em outras palavras, para Schumpeter, o empreendedor não era o trabalhador autônomo que luta para sobreviver, mas sim o capitalista que detinha os meios de produção e a capacidade de investir.

No entanto, no discurso contemporâneo

Viva Irati, cidade Amada !

"Viva Irati, cidade Amada!”

Bandeira oficial do município de Irati PR
Irati, Irati, terra querida
De gente que sonha e que luta.
Povo hospitaleiro, alma destemida,
Que ergue a cidade com fé absoluta.

Abrigou pioneiros, imigrantes, gente de tantos locais,
E ainda hoje atrai migração,
Com comércio, indústria e belezas naturais.
Cidade amada, é polo da região, 
Agricultura forte e em expansão.

Polo de saúde, de cultura, de educação;
Cidade do

Fusos horários do Brasil

De acordo com a Lei 12.876, a partir do dia 10 de novembro de 2013 populações do Acre e parte do Amazonas voltam a conviver com duas horas a menos que Brasília, isto porque, anteriormente, o território brasileiro já era dividido em 4 fusos horários, passando a contar com 3 e retornando a ter 4 horários distintos.

Mas vamos entender como os horários são estabelecidos, suas decorrências e suas implicações ?


O movimento de rotação da Terra, ao receber a luz solar, produz a passagem dos dias e das noites, causando uma diferença de horário entre pontos da superfície terrestre posicionados a uma distância significativa um do outro, já que, a grosso modo, quando um hemisfério é iluminado pelo sol (dia), o outro não (noite). Para padronizar essa diferença foram criados os fusos horários

A padronização foi feita considerando-se que a Terra, vista de um dos pólos, é uma circunferência perfeita, com 360°. 


Os fusos horários, também denominados zonas horárias, foram estabelecidos através de uma convenção composta por representantes de 25 países em Washington, capital estadunidense, em 1884. Nessa ocasião foi elaborada a divisão do mundo em 24 fusos horários distintos.

Nosso planeta leva em torno de 24 horas (23 horas, 56 minutos e 4,09 segundos)  para dar uma volta completa ao redor do seu próprio eixo (movimento de rotação terrestre), sendo responsável pela variação diária na radiação solar, caracterizando os dias e as noites

Flexibilização da CNH e do respeito à vida no trânsito

É uma facilidade, é uma medida populista, mas flexibilizar a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem alto grau de risco. 

Em um país onde em qualquer cidade média se registra diariamente dezenas de acidentes causados por imperícia, imprudência e negligência, onde o respeito ao pedestre é quase inexistente, onde se briga e até se mata por causa discussões banais de trânsito, falar em flexibilizar a CNH é equivalente a entregar uma arma nas mãos de quem não está preparado para usá-la.

A realidade é simples e incômoda: grande parte dos motoristas brasileiros não demonstra domínio técnico, nem maturidade emocional para conduzir um veículo de forma segura. As estatísticas de mortes e lesões no trânsito falam por si. 

Não vou trazer dados neste breve texto, até porque, de tão rotineiras, muitos acidentes com "apenas" prejuízos materiais nem entram na conta, mas além das vidas perdidas, da capacidade laboral comprometida, gera um custo enorme ao SUS - sistema único de saúde.

Dirigir exige autocontrole, leitura de risco, capacidade de antecipação e responsabilidade coletiva, atributos que não surgem rápida e espontaneamente. Exige busca pelo conhecimento, não apenas prático, mas também teórico. Basta transitar em qualquer rodovia, que vemos inúmeros casos de imprudência. E muitas vezes não se tem a oportunidade de errar novamente. Um erro leva à morte do condutor, dos demais ocupantes e de terceiros inocentemente envolvidos.

O governo deveria fazer o oposto: tornar o processo de habilitação mais rigoroso, aprofundar a formação teórica e prática, ampliar critérios psicológicos, reforçar a educação continuada e investir seriamente em fiscalização. Inclusive, tanto nas rodovias quanto nos municípios, precisamos de mais câmeras, mais radares, mais blitze, mais presença do Estado onde o caos já é rotina. Inclusive, melhorando as condições de segurança das vias, pois até mesmo as pedagiadas, entregues à iniciativa privada, não são adequadas plenamente ao atual e crescente fluxo de veículos.

Não é criminalizar o motorista; é proteger vidas, tanto em vias urbanas quanto em rodovias, que já se tornaram corredores da morte.

E aí surge a

Manifestação religiosa e cultural da Recomendação das Almas

Tratar atualmente sobre as práticas ou ofícios da religiosidade popular é voltar um olhar sobre manifestações religiosas e culturais que clamam por resgate, que se constituem em um fator de resistência ao moderno, marcado pelo desencantamento e com o enfraquecimento do misticismo e do mágico que outrora povoavam a imaginação, davam suporte às tradições tipicamente rurais, mesclavam-se com a religiosidade popular, fortaleciam os laços de comunidade e envolviam aspectos da cultura como um todo.

Entre estas práticas, está a Recomendação das Almas, que também com este desencantamento da quaresma e com a mudança de paradigmas sociais deixa de ter as bases para sua realização e sentido. As mudanças sociais, demográficas, tecnológicas, culturais, acabam transformando os hábitos de vida, os valores, as crenças e as tradições.

Enfim, ao alterar o território propício a determinada prática, ou em outras palavras, ao alterar as bases materiais de determinada manifestação, ela tende a ser afetada, muitas vezes, enfraquecida ou esvaziada de sentido. Ela deixa de ser uma prática do cotidiano, tornando-se em alguns casos uma tradição cultural (restrita a um nicho, como lembrança saudosista ou comemorativa) ou às vezes, por falta de registro e transmissão, nem isso.

O desencantamento da quaresma citado pode ser

A escassez de água e as contradições do modo capitalista de produção.

A crise hídrica não pode ser descontextualizada do modo de produção capitalista, tendo o Estado e a ação política o papel de mitigar as contradições da relação entre sociedade, natureza e capital.


Texto classificado no Concurso Foed Castro Chamma e disponível no site da ALACS 

www.superbac.com.br
Materializou-se a crise ambiental há tempos prevista; a água, outrora tida como abundante, importante não apenas economicamente, mas também fisiologicamente para os seres vivos, enfim foi reconhecida como um líquido precioso. Enfatiza-se que os problemas ambientais são provocados ou potencializados pela ação antrópica. Ou seja, pela atividade humana de uma população crescente e que demanda cada vez mais recursos.

Esta visão simplista carrega uma ideologia ardilosa, pois além de destacar a necessidade social de conscientização no uso dos recursos naturais, entre eles, a água, também considera a população como causadora da crise, resumindo a questão como decorrente da existência de um excedente populacional que consome além da disponibilidade de recursos, reproduzindo uma ultrapassada explicação malthusiana para a escassez, despolitizando a questão e afastando dela suas relações com os aspectos sociais e econômicos. Basta exemplificar como a pobreza de significativa parcela da população do sertão nordestino é naturalizada como decorrente dos “problemas ambientais” da região, ignorando todo o contexto social, político e econômico.

A contradição é que enquanto se responsabiliza a população, justificando que ela suporte os diversos custos sociais e econômicos, o consumo crescente e o desperdício direto ou indireto são incentivados pelo

Homenagem ao Município de Rebouças - PR

Enquanto no Uruguai, em 1930, ocorria a primeira Copa do Mundo,
Em 21 de setembro quem ganhou a taça foi o povo de um lugar fecundo.
Neste dia, ocorreu a instalação de Rebouças, amado município.
Tudo se iniciou no Butiazal, tomaremos este marco como princípio.

Foto de pontos interessantes da cidade de Rebouças Paraná

Mas com o progresso, impulsionado pela erva-mate, madeira e pela ferrovia,
Às margens dos trilhos frios um distrito se erguia.
Ao Engenheiro Antônio Rebouças uma justa homenagem foi declarada,
Reconhecimento de sua importância e dos legados de sua empreitada.

Como pequena cidade do interior, em Rebouças todos se conhecem,
Percalços às vezes surgem, é a vida, mas as amizades permanecem.
Indígena, imigrante europeu, oriental, africano, todos irmanados,
Terra de pronta acolhida, onde muitos sonhos são plantados.

Onde amizades florescem, encontros acontecem,
E nesta fonte de amor, florescem famílias, seus filhos crescem.
E na combinação de sobrenomes, frutos de tantas sementes,
Surgem novas histórias e a cidade ganha presentes.

Tanta gente, tanta história, uma só cidade.
Vieiras, Rodeio, Estiva, Serrinha...

Agropecuária no Brasil e no Mundo: Origem da Agricultura e Sistemas Agrícolas

O que é Agropecuária ?

Reúne os substantivos:  “agricultura”+“pecuária”.
É a área do setor primário responsável pela produção de bens de consumo, mediante o cultivo de plantas e da criação de animais como gado para leite e corte (bovino, suíno, caprino, ovino), aves entre outros.
De longa data a agropecuária apresenta relevante destaque no cenário da economia nacional. Historicamente, foi uma das primeiras atividades econômicas a serem desenvolvidas no país. A ocupação do território, por exemplo, teve forte influência da produção de cana-de-açúcar, posteriormente do café e, por fim, da pecuária, que conduziu o povoamento do interior do país.
A atividade agropecuária no Brasil representa 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e gera emprego para pelo menos 10% da população economicamente ativa do país. 

Como surgiu a Agricultura ?

A palavra agricultura significa “cultivo dos campos”. A palavra "agricultura" vem do latim, composta por ager (campo, território) e cultūra (cultivo), no sentido estrito de cultivo do solo.
Agricultura é o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas com o objetivo de obter alimentos, fibras, energia, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos, ferramentas, etc.
Em português, a palavra "agricultura" manteve este sentido estrito e refere-se exclusivamente ao cultivo dos campos, ou seja, relaciona-se à produção de vegetais. No entanto, em inglês, assim como em francês, a palavra "agriculture" indica de maneira mais genérica as atividades agrícolas tanto de cultivo dos campos quanto de criação de animais.
O início das atividades agrícolas separa o período

Pago imposto, tenho direito: um discurso individualista e distorcido sobre a cidadania

Nos debates cotidianos sobre gestão pública, é comum ouvir afirmações como “posso reclamar porque pago imposto” ou “sou patrão do servidor público”. Este tipo de discurso, embora muitas vezes impulsionado por uma legítima frustração, é em sua essência uma simplificação grosseira da realidade tributária, social, econômica, legal e do funcionamento do Estado.

Debate público sobre impostos e cidadania
Discursos simplistas sobre impostos e cidadania

Demonstra que apenas deixamos nos levar por "discursos de bodega", sem fundamentos, sem compreensão mais profunda da realidade, sem empatia ou abertura para entender o contexto sobre outras perspectivas. Ou, às vezes, e o que é pior, não se trata de ignorância ou ingenuidade, atributos que todos nós temos em certas áreas diante da impossibilidade material de entender de tudo, mas de intencionalidade. Às vezes há intenção neste discurso invertido, vontade de manipular, polemizar, de se beneficiar, especialmente para fins politiqueiros. E alguns caem neste conto do vigário.

Este discurso revela

Uma jornada pelos caminhos de Irati: história, cultura e homenagem através dos nomes das ruas

Ao ler o livro Historicidade, de Dagoberto Waydzik, o qual traz interessantes histórias e relatos sobre os bairros de Irati, senti-me motivado a condensar em uma postagem uma curiosidade a respeito da denominação temática das ruas de alguns destes lugares.

O presente texto não tem caráter reflexivo ou dissertativo, mas puramente informacional e de curiosidade. Até porque, não poderia deixar de mencionar que para  quem tiver o interesse de maiores detalhes, a obra inspiradora supracitada aborda aspectos históricos da formação do município e de seus bairros, cita os primeiros moradores e desbravadores, as ações empreendedores e as políticas públicas que transformaram o espaço geográfico do município, forjaram sua cultura, sua estrutura e solidificaram as bases para seu posicionamento social, econômico, político e cultural da atualidade.

Recomendo esta valiosa leitura, a qual é a base para a compreensão atual de nossa cidade, um material informativo, literário, histórico, cultural, cívico e até mesmo pedagógico que necessita ser apreciado. 

A cidade de Irati - Paraná, em geral, tem as ruas de seus bairros com...(continue lendo)

Valorizar o professor não é blindá-lo da responsabilidade por mudanças.

"Valorizar o professor não é blindá-lo da responsabilidade por mudanças.”

Professores desmotivados abandonando a sala de aula
Fonte: Projeto Colabora

Historicamente a imagem cristalizada do professor foi a do sofredor, da profissão penosa, às vezes do vocacionado, outras vezes, do quase mártir. Enfim, um profissional mal pago, sobrecarregado, abandonado pelo Estado e pela sociedade.

Essa narrativa ainda circula com força nos discursos públicos, sindicais e acadêmicos, e sobretudo nas salas de professores; mas talvez esteja na hora de confrontarmos essa visão sob nova luz: com dados, contexto, exemplos e, sobretudo, coragem de questionar esse discurso quase bíblico.

⏳ De charrete à era digital: o salto estrutural da profissão

Até o início dos anos 1980 (uso este marco temporal para me valer da experiência pessoal), a docência, especialmente nos municípios interioranos, era de fato uma

Urbanização brasileira

CONTEXTO E DELIMITAÇÃO DO TEMA

Considerando que os conteúdos referentes à industrialização brasileiras foram trabalhados e já assimilados pelos alunos, é possível, a partir das relações existentes entre as duas temáticas, adentrar no processo de urbanização brasileira.

Considerando que a "ocupação" do território brasileiro pelos portugueses (e posteriormente por outros países europeus) se deu, historicamente, a partir do litoral, onde também se desenvolveu a cultura da cana de açúcar, e com ela a implantação dos engenhos e outras infraestruturas, é um marco adequado para iniciar a explicação desse processo histórico.

Com a abertura de novas possibilidades de exploração econômica, a ocupação foi se ampliando no sentido leste-oeste. A exploração do ouro também contribuiu para a ocupação do

Caminhadas na Natureza: A Nova Tendência que alia desenvolvimento rural e qualidade de vida

CAMINHADAS NA NATUREZA: A NOVA TENDÊNCIA QUE ALIA DESENVOLVIMENTO RURAL E QUALIDADE DE VIDA.

 As ruas das cidades estão cada vez mais movimentadas, mas não é apenas o trânsito de veículos e a correria urbano-produtivista que vêm crescendo nos últimos anos. A circulação de pessoas está maior, mas não é apenas em deslocamentos a pé para o trabalho ou ao mercado. A população urbana tem abraçado com vigor o hábito das atividades físicas, ocupando academias, praças, parques, clubes, e até as ruas e estradas, ganhando destaque as caminhadas.

E percebe-se que esta atividade se destaca e se torna mais prazerosa ao ser realizada ao ar livre, especialmente em grupos, consistindo não apenas na prática pura de um exercício físico, mas combinando-se com momentos de lazer, de interação social, de relaxamento e de apreciação das paisagens.

É um contraponto ao acelerado ritmo de vida, ao uso intensivo de veículos e demais meios de transporte para poupar tempo, ao crescimento dos centros urbanos, onde se destaca o cinza e a dureza do concreto, e ao uso constante de telas em nosso dia a dia.

Em paralelo, verifica-se, além da busca crescente por estes momentos de atividade física, uma demanda por ambientes naturais, por maior contato com a natureza (embora ela esteja em toda parte, até em nós), pelo maior contato com o rural, por contemplar as paisagens naturais, desacelerar, conhecer novas culturas e hábitos de vida.

Embora caminhar seja uma das

O velho matadouro municipal de Rebouças - PR

"O velho matadouro municipal de Rebouças - PR”

O crescimento e a modernização da cidade, a expansão dos bairros de modo geral, bem como a construção do Fórum Eleitoral, foram fatores que trouxeram, juntamente com o investimento na revitalização, uma nova estética à Praça do Expedicionário, localizada próxima ao Ginásio de Esportes Camilão e ao Centro Cultural, em Rebouças – PR.

Apesar das melhorias e das mudanças, às vezes, na correria do dia a dia, e com os deslocamentos realizados preponderantemente dentro de veículos, característica da vida urbana apressada, não percebemos a cidade e não nos damos conta da atratividade de seus espaços de vivência, tampouco das marcas históricas que revelam o passado de nossa terra.

Uma construção antiga, parte da história do

O desafio do pensamento crítico

Desde a minha época de estudante, sempre procurei cultivar um pensamento crítico. Essa postura foi amplamente estimulada pela sorte de ter tido bons professores de História, Geografia e Sociologia, aliada a uma vontade genuína e um interesse natural por esses assuntos.

Infelizmente, nos últimos tempos, essas disciplinas sofreram certo aviltamento, com sua importância sendo frequentemente menosprezada — o que enfraquece um de seus maiores propósitos: o exercício da cidadania.

Mais do que ninguém, defendo o senso crítico. No entanto, é essencial que a crítica seja bem fundamentada e o mais imparcial possível. Do contrário, transforma-se em mera reclamação vazia ou, pior ainda, em instrumento de defesa ou ataque político, abandonando a objetividade em nome de simpatias ou interesses particulares.

Nesse cenário, a internet tem desempenhado um papel ambíguo. Ao mesmo

A ocupação residencial das beiras de rios e fundos de vales urbanos e a destruição das matas ciliares

Sabe-se que a taxa de urbanização no Brasil cresceu muito nos últimos anos. O êxodo rural e suas causas, mudanças demográficas, disponibilidade de serviços, de lazer, oferta de trabalho, de oportunidades, entre diversos outros fatores relacionados exerceram forte impacto na atração de pessoas para as áreas urbanas.

Por volta de 1970 houve a chamada transição demográfica, quando a maioria da população deixou de viver na área rural e passou a habitar nas áreas urbanas.

Porém, as áreas urbanas não estavam preparadas para atender ao crescente número de famílias e habitações, especialmente as áreas periféricas, em geral carentes de planejamento e infraestrutura. Muitas se formaram, inclusive, decorrentes de ocupações irregulares ou em áreas de risco.

A consciência ecológica também não era tão vívida e os reflexos negativos do mau uso dos recursos naturais não eram tão evidentes.

Enfim, o processo histórico da época permitiu que