Como ficar rico

A indústria das “dicas para ficar rico” vende uma ilusão conveniente. E isso sim é oportuno para realmente enriquecer coachs, autores de livros milagrosos e cristalizar a ideologia meritocrática no seio social. 

Não vou adentrar aqui no tal mindset vencedor, no basta querer e esforçar, na mudança de pensamento, etc. Basta partirmos da premissa de que a cada dez conselhos dos especialistas, nove se resumem a economizar

Isso não é enriquecer, é apenas sobreviver com mais controle. Para quem ganha um ou dois salários mínimos, a margem é tão estreita que a economia, mesmo que fransciscana, pouco altera o destino. Obviamente que é melhor que endividamento, que perda da racionalidade e controle. Mas não vai te possibilitar ampliar o padrão de consumo. Ao contrário, exige redução no curto e médio prazo, para uma possível e hipotética elevação futura. Mas isso não responde a pergunta central: enriquecer para quê, a que modo, a que custo? 

Também não basta ampliar fontes de renda. Na prática, isso costuma significar trabalhar 10, 12 ou 18 horas por dia para um ganho incremental pequeno, ao custo da saúde, da formação continuada, do tempo (vida) e da qualidade de vida. O sujeito vira refém do próprio esforço. Isso não é mobilidade social, é exaustão crônica. Talvez possível por um período, mas não como algo sustentável ao longo do tempo. Ou seja, precisa abrir mão de muita coisa, sobretudo tempo (e o que se pode fazer com ele), mas acumular recursos futuros.

Ou seja, enriquecer é um