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Abertura econômica e o choque de concorrência no governo Collor e as oportunidades do Governo Lula

Acredito que muitas vezes, falta às pessoas, a realização de uma análise de causa e efeito. Embora isso seja incompleto e muitas coisas sejam imprevisíveis e aleatórias, é um começo para se compreender a evolução histórica das coisas e perceber que, quando se trata de questões políticas, econômicas e sociais, nada acontece do dia para a noite, e tampouco sem um contexto macroambiental favorável. As coisas demandam medidas de longo prazo.

O Brasil, ou melhor, o Lula e seus companheiros devem muito ao governo de Collor e principalmente de FHC para poderem se vangloriar hoje.

Primeiramente, foi no governo de Collor que houve o choque de concorrência e a abertura econômica do Brasil.

As empresas ineficientes se viram obrigadas a melhorar seus processos. Os custos se reduziram em virtude da concorrência externa e o consumidor começou a ter o status que tem hoje.

Muitos criticam essa abertura, argumentando que foi súbita. Entretanto, se ela fosse gradual, esse “choque” talvez não tivesse proporcionado os mesmos efeitos que gerou. Obviamente, custou a solvência de muitas empresas, mas a lei de mercado é esta: só os mais eficientes sobrevivem.

E nesse aspecto, não adianta criticar o capitalismo, pois acredito que ninguém deixa de adquirir um produto de melhor qualidade ao menor preço possível. E essa condição só é possível quando há concorrência. Alguém lembra os modelos de carro anteriores aos anos de 1985 ?

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Outra questão é a inflação, que sempre foi um dos problemas gritantes no Brasil. Taxas de 2 mil % ao ano assolavam o povo. Medidas de congelamento de preços, gatilhos salariais, indexação da economia, empréstimos compulsórios, políticas restritivas, nunca surtiram efeito. O povo se acostumou a fazer estoque até de comida !

Para vencer a memória inflacionária e evitar que mais uma chuva de frustrados planos ou pacotes econômicos fossem tentados (Cruzado, Bresser, Verão, Collor 1 e 2, só nos anos 80 e 90), só mesmo o Plano Real, que inclusive o PT de Lula era contrário.

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Destaca-se que contradição deveria ser o lema do PT. O Lula antes da presidência criticava muitas das medidas que ele posteriormente aglutinou, mudou o nome e defendeu como sua bandeira. Inclusive o plano Real ! Até mesmo a distribuição de favores (e não de renda, como ele pregava), como a Bolsa Família, já foi questionada por ele. Clique aqui e assista um video de 1 minuto do Luís Inácio criticando o programa social, que hoje é vangloriado por ser reconhecimento internacionalmente.

Mas voltando ao campo concreto da economia, é claro que o governo FHC teve que navalhar a própria carne. A valorização do Real dificultou a exportação e houve uma queda na balança comercial. O Estado precisou ser enxuto, inclusive com privatizações, visando a eficiência e a eliminação dos cabides de emprego. Por outro lado, facilitou a importação de bens.

Lembrando que isso aconteceu porque houve uma elevação da oferta da moeda estrangeira. E isso só ocorre quando o país fica atrativo para investimentos estrangeiros. E para isso, contribui não só as condições gerais do país que melhorara, refletindo no risco Brasil, como principalmente pela elevação dos juros.

Juros, que por sinal, permanecem exorbitantes no Governo de 8 anos do Lula, apesar de que agora a inflação está na casa dos 5%, muito distante dos 2.000% da época anterior ao plano Real.

http://drunkeynesian.blogspot.com.br/2012/05/um-historico-longo-de-juros-no-brasil.html

Mesmo assim, hoje, o Lula (talvez com continuidade pela Dilma), marqueteiramente eleva a dívida interna e coloca os gastos públicos em patamares nunca antes vistos, inclusive com propagandas governamentais e com políticas sociais assistencialistas e não emancipatórias, as quais seguram o povo na dependência do Estado.

É interessante também que o governo petista se gaba de pagar uma conta junto ao FMI cujos juros são muito menores do que daquelas que ele deixou de pagar, como a dívida interna, que reitero, só se elevou. É o mesmo que você fazer um empréstimo bancário para aplicar o dinheiro na poupança !

Como nenhum país é uma ilha (desconsiderem qualquer comparação com Cuba !), as condições macroeconômicas influenciam de forma contundente. No início do século XXI, apesar das crises internacionais, o contexto econômico que foi desfavorável para o FHC foi favorável para o Lula. Só para fins de comparação e para justificar que crise para alguns é oportunidade para outros, e que o Lula não fez tantos milagres assim, cita-se o exemplo da Índia e da China, que vem tendo um crescimento fantástico, apesar das crises (Russa, Asiática, Estadunidense, etc), infelizmente, com graves desigualdades sociais, as quais as bolsas, definitivamente, não são a saída.

Alguns defendem que a saída está em políticas de longo prazo, com a educação, por exemplo. Mas eu pergunto: qual governo vai investir em políticas de longo prazo em um país que esquece seu passado, onde políticas de doações assistencialistas são mais eficientes para capturar votos ?

Afinal, obter votos é o objetivo dos políticos. A Dilma, por exemplo. Primeiramente favorável ao aborto, agora, para obter votos dos conservadores, alterou seu discurso.

Mas mudar de opinião (sem ser incoerente) é um direito, uma atitude de crescimento pessoal. Isso é o de menos para um partido que acumulou escândalos de corrupção. Talvez o governo petista bata alguns recordes nacionais e internacionais no que tange às denúncias de corrupção. Enfim, um partido contraditório, mas ardiloso na manipulação da opinião pública.