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Pseudo criticidade: a crítica superficial a tudo e a aceitação de tudo

Atualmente se fala em "quebra de paradigmas" e se insiste na necessidade de se ter um pensamento crítico. Entretanto o que impera é a "substituição de paradigmas" e a cristalização de uma pseudo-criticidade como regra de conduta.

Embora crítica não signifique juízo, ser crítico virou tema da moda, transpassando a sociedade do meio político, filosófico, educacional até mesmo no meio religioso e pessoal. Entretanto, em toda história humana nunca houve tanta flexibilidade na aceitação de idéias e ideologias como atualmente. Trata-se, segundo certos argumentos, da aceitação da cultura do outro, da liberdade e da expressão individual, de respeitar os direitos.

Tudo é relativo, tudo é normal, ao menos na exteriorização do discurso politicamente correto, pois na prática cotidiana, parece que o antagonismo de classes nunca foi tão acirrado, ou melhor, nunca foi tão evidente e explícito. São cristão x ateus x N denominação religiosas (que prefiro dizer culturais, já que a religião é um traço formador da cultura de um povo); homens x mulheres x outras questões de gênero; brancos x negros x índios, gerando polêmicas étnicas em um país cujo povo, nas palavras de Darcy Ribeiro, era uno; esquerda x direita; capitalismo x socialismo x comunismo, como se vivêssemos na Guerra Fria, enfim...

Ora, é paradoxal sermos críticos, termos uma opinião formada sobre tudo, muitas vezes sem qualquer embasamento além do nosso interesse, ilusão ou achismo ao mesmo tempo que aceitamos o que nos é imposto como rota mais certa. Talvez, uma das consequência do excesso de informação. Informações que acompanham a volatilidade e a velocidade do meio virtual pelo qual ela circula, e que portanto, são superficiais e transitórias. Desprovidas do arcabouço fundamental para compreender as relações que geram e que ao mesmo tempo são geradas pela sociedade em suas interações e em interface com as diversas perspectivas da ação social (econômica, política, cultural, ideológica, etc.)

Um exemplo são as letras dos funks, onde em muitas delas – para não generalizar, embora desconheça alguma de qualidade – há forte apologia ao sexo e onde se imprime uma visão distorcida e maculadora da imagem feminina. E muitas mulheres defendem, e adoram ! Outro exemplo é a hipótese da descriminalização da maconha.
Fonte: sementes.bligoo.com

A criticidade parece não se impor quando se trata da cultura de massa, especialmente aquela imposta por grandes organizações, ou pelos detentores do capital, seja na forma de novelas (e suas apologias - uso de drogas, golpes, adultérios, tudo é normal, é romântico), de propagandas, enfim, do modo de vida consumista, onde tudo é imediato e descartável, onde não há valores (coisa considerada retrógrada).

Também não há uma reflexão (ou melhor, há apenas críticas, sem ação e sem correção) e uma reação sobre as tantas ações inescrupulosas da classe política. E aqui a crítica se estende à sociedade, de onde sai tal classe e de onde emana o poder delegado a ela. E quando há, é uma crítica momentânea. Uma repercussão que acompanha o coro de vozes (sendo massa útil), mas que em pouco tempo é esquecida e não reflete nas urnas. A população se indigna porque o candidato X votou a favor de tal projeto de interesses classistas, mas em dois meses, ninguém lembra sequer do projeto, muito menos de quem votou.

Outras vezes, a crítica é vazia. Uma mera repetição ou cosimento de palavras catadas aqui e ali, mas que aquele que as reproduz sequer saber se são verídica ou não. Fala-se, por exemplo, que tal prefeito gastou demais em propaganda. Mas poucos ter a disposição de verificar os orçamentos, os demonstrativos de despesas ou os portais da transparência para confirmar o fato.

A favor ou contra a redução do subsídio dos vereadores ?

portalrolandia.com.br
Com o descontentamento geral das pessoas com os políticos (para não dizer com o desencantamento com a política), é normal que surjam movimentos que questionem a relação do que eles ganham com o que eles fazem, enfim, que julguem o retorno social do custo de um político ou da estrutura política.

E assim, surgiu a moda de exigir, especialmente no atual contexto de crise e redução de gastos no qual o país se encontra, a redução do subsídio dos vereadores. Ideia relevante, pois se sabe que muitos políticos recebem valores significativos e custam caro ao erário. Mas mais que isso, além dos subsídios, eles demandam uma estrutura que gera relevantes despesas que consomem recursos advindos dos tributos e que poderiam ser direcionados para outros investimentos sociais. Além de que, muitos, na opinião popular, não cumprem seu papel com eficiência e eficácia.

Mas até que ponto reduzir o subsídio de um vereador para o valor de um salário mínimo é profícuo ? Não existem outras variáveis que precisam ser analisadas, além do aspecto econômico-financeiro ? O ponto positivo é que

Muitos impostos e pouco retorno. Onde estão os meus direitos ?

Muitos impostos e pouco retorno. Onde estão os meus direitos ?


Assista o video clicando aqui, já que os videos da Globo não podem ser veiculados no Youtube.

          
  Vivemos uma época em que o senso crítico das pessoas, parece, pontualmente, estar maior. A população está mais consciente de seus direitos, fiscaliza e cobra uma eficiente gestão dos recursos públicos, reivindica, etc. Mas quanto aos deveres e obrigações há a mesma lógica ?
            Segundo o discurso massificado, a população cumpre suas obrigações pagando impostos - e muito - por isso têm tantos direitos. Mas será que a situação é tão simples assim ?
              É óbvio que os dados revelam que o brasileiro arca com uma pesada carga tributária, prevista para 2013, como algo em torno de 35% do PIB, ou seja, de tudo que é produzido no Brasil. Por outro lado, divulga-se que o retorno é ínfimo. A saúde é precária, a educação também. Mas será que a educação é precária mesmo ? Quem faz esta afirmação se baseia em que dados para avaliar a qualidade do Ensino Público ? E quais fatores influenciam nessa suposta precariedade ?
              Será que a questão é tão simplista assim, que já virou senso comum criticar o Estado ? Será que não está se tornando "cultura nacional" apenas exigir ?
           São tantos e diversos os direitos “concedidos” que se chegou ao ponto em que se justifica exibir uma matéria em um –ou talvez em mais -  jornal nacional sobre o fato de um aeroporto estar sem ar-condicionado.
Em dezembro faz muito calor, e suar um pouco seria normal. Mas na visão dos entrevistados, é uma falta de respeito, de desconsideração fazerem isso com a população. Afinal, pagamos (impostos) por tudo isso, dizem eles. E o pior, não pediram sequer desculpas pelo “transtorno” !

Conhecimento e cidadania: Constituição Federal Interpretada

Todo poder emana do povo”. Essa frase, enaltecida em muitos discursos, tem seu lugar de destaque na Constituição Federal. Mas ela ela tem continuidade: Poder que o povo “exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. E nem sempre o termo "diretamente" é enfatizado. Talvez porque ao dizer que o poder emana do povo e encerrar a questão, não se corre o risco do povo querer de fato exercê-lo. Querer de fato participar da construção de todas as relações sociais, políticas, econômicas, etc. que se refletem em seu cotidiano. 

Mas a é dúvida é: o povo está preparado para tal empreitada ? O povo realmente sabe exercer seu poder democraticamente, de modo a obter seus direitos, sem ferir direitos alheios e sem deixar de lado suas obrigações ? 

No mesmo parágrafo do artigo 1º do texto constitucional, o fechamento se dá com a frase “nos termos desta Constituição”. Como exercer o poder, direta ou indiretamente, nos termos da Constituição, se não conhecemos a Constituição que regulamenta e sacramenta esse poder ? 

Fonte: www.romario.org
Isso comprova a necessidade de se conhecer as leis, o sistema político, as relações sociais e de poder, e sobretudo, quais são os nossos direitos e não menos importante (apesar da sociedade hoje enfatizar os direitos), as nossas obrigações.

Neste sentido, nesta postagem, compartilho, a título de informação, um link para acessar a Constituição Federal de 1988.Obviamente, muitas pessoas sabem que para obter a legislação brasileira de fonte oficial, basta acessar o site do Palácio do Planalto (www.planalto.gov.br), porém, o diferencial deste material, é que ele é atualizado e anotado pelo Supremo Tribunal Federal.

Dessa forma, o material pode ser baixado (download) ou pode ser acessado on line, opção na qual é possível consultar artigos específicos e o posicionamento do Supremo Tribunal Federal a respeito do tema.

É uma forma acessível da população conhecer e estudar, para fins de exercício da cidadania, para provas acadêmicas, para concursos, o texto legal (a lei pura), bem como a jurisprudência, além de garantir o acesso a uma lei atualizada. 

Clique aqui para acessar a Constituição Interpretada pelo STF e boa leitura.

Conclui-se, dessa forma, que na chamada Era da Informação, o exercício da cidadania se torna facilitado, anulando pretextos para que a sociedade não exerça seus direitos, como também, para que não esqueça seus deveres e os direitos dos demais. Informação que dá subsídios para que a discussão política seja profunda e coerente, indo além de palavras de efeito repetidas a exaustão, como “fora”, “fascista”, “coxinha”, “golpe”...Enfim, conhecer as leis é o primeiro passo para entender as relações, as razões e a ideologia que as originam e influenciam sua aplicação.