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Brincadeiras proibidas

Às vezes, uma imagem fala mais que um amontoado de frases. Especialmente porque no atual contexto técnico-científico-informacional (emprestando o termo Miltonsantiano), marcado pela velocidade da (des)informação, o que está em consonância com mundo cada vez mais rápido, superficial e volátil, a leitura detalhada não atrai. Não há paciência e nem tempo para ler, tampouco escrever, textos com mais de 1000 caracteres. Eis porque SMS e microblogs fazem tanto sucesso !

Valendo desse contexto, resumo na imagem abaixo minha opinião a respeito de leis que dificilmente terão alguma eficácia, e o que é pior, revelam uma ideologia de controle estatal sobre a família, sobre a forma padrão de educar, baseada em (pré)conceitos formulados em escritórios que tem se mostrado ineficazes diante da realidade, onde apesar do E.C.A., da “lei das palmadas”, da educação integral, e de tantas outras medidas, os índices de violência e de marginalidade só têm aumentado.

Mas mais do que expor uma questão sociológica (a formação do comportamento desejável de um indivíduo na sociedade) de difícil comprovação empírica, e portanto, sujeito à polêmica e ao debate, o que espanta é o empenho dos legisladores em formular leis inócuas enquanto situações concretas ficam relegadas em segundo (terceiro, quarto...)plano.

Seria uma tentativa de retirar a atenção do foco principal dos problemas ?


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Exclusão das marcas do período da Ditadura Militar

Em Curitiba - por enquanto, já que estas idéias ganharam força após os resultados da Comissão da Verdade  - as ruas e prédios públicos que façam referência a nomes relacionados à Ditadura Militar (1964-1985) poderão sofrer alterações caso o projeto de lei apresentado pelo vereador Pedro Paulo do PT seja aprovado.

pt.wikipedia.org
Segundo a Gazeta do Povo, “o vereador destaca que a denominação de uma rua é sempre uma homenagem pelo bem que alguma pessoa fez, seja pelo município, estado, país ou mundo. Ele destaca que, no caso do regime militar, o período foi de perseguições.”

Me questiono, porém, se outras marcas do Período Militar também serão apagadas ou excluídas, como a Ponte Rio-Niterói, as Usinas Hidroelétricas de Itaipu e de Tucuruí, as Usinas de Angra I, II e III, etc.

O que não se pode é desconsiderar toda a história em detrimento de uma parte dela.  Por isso, é preciso ponderar e ver que apesar dos erros e dos excessos desse regime, houve também benefícios sociais e econômicos, inclusive decorrentes da industrialização do país, do incremento e da expansão da malha ferroviária e rodoviária, etc. Um retrospecto do período militar pode ser visualizado clicando aqui.

Não se trata de justificar ou apoiar a Ditadura, o que seria impensável, porém, é preciso um pouco de racionalidade e considerar que determinadas medidas são apenas demagógicas e eivadas de interesses político-partidários e ideológicos e não trarão benefícios práticos nenhum para a sociedade. Hora, qualquer pessoas com o mínimo de discernimento saber que crimes da ditadura são uma coisa. Obras públicas realizadas no período da ditadura são outra.

Dessa forma, apesar das justificativas, é preciso destacar que este tipo de medida implica em custos financeiros, justamente em uma época em que as administrações públicas sequer conseguem (apesar da alta carga tributária imposta à população) atender todas as necessidades de investimento e de gastos para garantir materialmente o atendimento social. Além disso, implica em custos histórico, cultural, etc.

É preciso ainda, para se avaliar objetivamente estes projetos, analisar quais são as alternativas de substituição para os nomes. O que o novo patrono representa para a sociedade e não apenas para grupos (políticos, ideológicos, religiosos, etc.), qual legado ele deixou, que atitudes ele encoraja, que pensamentos ele reforça e representa.

Exemplificando, seria ilógico retirar o nome de João Figueiredo, um dos responsáveis pela redemocratização, responsável pela construção de três milhões de casas populares, pelo retorno do pluripartidarismo, entre outros feitos deste ou de outros governos que inegavelmente também tiveram pontos positivos, e substituir por líderes políticos ou ditadores como Mao Tse Tung, Lênin, pelo Guerrilheiro Che Guevara, etc. os quais ainda são admirados por alguns.

Exageros a parte, seria também incoerente distribuir aos bens públicos nomes de certos políticos entre outros personagens contemporâneos, que também apresentam um passado (ou presente) nebuloso em suas histórias e cujo ideal não representa um anseio coletivo. 

Parece que está ocorrendo no Brasil uma re-escritura da história, uma mudança de papéis entre heróis e vilões. E neste sentido, toda e qualquer generalização ou regra absoluta irá ser falha e injusta.

E como sempre, as mudanças são respaldadas no discurso e nos interesses político-ideológicos. Portanto, é preciso se perguntar se tais mudanças e discursos realmente primam pela justiça e pela reparação histórica, como também a qual interesses atendem e a quem favorecem.

Eu pergunto: será que tentarão também apagar o progresso verificado no Regime Militar ? No atual período não existem problemas que afrontam a democracia, o senso de justiça ? 

E os símbolos de outras ditaduras serão excluídos da história por decreto ? Devemos lembrar que a Ditadura Militar não foi a única implantada no Brasil. O Estado Novo Getulista também foi um dos períodos mais autoritários do governo brasileiro. E quantas avenidas Getúlio Vargas existem por aí ! E pior, irão continuar valorizando como parte rica da histórica o período que fomos colônia e o território foi explorado pelos portugueses ? Ou irão questionar na sequência os governantes, em cuja época, havia inclusive escravidão ?

Ora, é preciso parar de anacronismo e entender o contexto histórico em que cada governo atuou. Além de que, dado o patrulhamento politicamente correto, é difícil achar um nome consensual. Até nomes religiosos não são aceitos por ferir a laicidade do Estado !


correio.rac.com.br
oglobo.globo.com


E considerando válido a necessidade imperiosa de promover essa exclusão de parte da história do Brasil, não seria necessário, por coerência, que os nomes e sobrenomes dos coronéis e escravocratas, que como ilustram quase todos os livros de história, outrora ordenavam e comandavam o povo e a política de muitas cidades interioranas e que hoje denominam prédios, ruas e praças públicas, sejam questionados ?

E por fim, diante do contexto social, econômico e político brasileiro, marcado pela corrupção, pela falta de planejamento e de uma política nacional (traços fortes do governo militar), existem muitas outras coisas mais urgentes para serem revistas.


Eita Brasil da demagogia !