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Desemprego Estrutural

Você trabalharia gratuitamente, por exemplo, para uma instituição bancária, que fatura bilhões por ano ?.( O Banco do Brasil faturou mais de 10 bilhões em 2009, segundo o site bancarios.com.br). Exagerando ainda mais: você pagaria uma taxa ou tarifa cada vez que executasse um trabalho para essa instituição, ou seja, o literal “pagar para trabalhar” ? (segundo a Gazeta do Povo de 18/08/2007, em média 20% do faturamento dos bancos provém das tarifas bancárias)

Pois de certa forma, é isso que ocorre na prática quando você utiliza o caixa eletrônico, e o pior, quando você faz isso, indiretamente está contribuindo para o desemprego estrutural.

O desemprego estrutural pode ser interpretado como a conseqüência da modernização das estruturas de produção e de trabalho, que segundo Aoki, ocorre por meio da mecanização e da automação dos processos de produção e trabalho.


Inicialmente, supunha-se que as máquinas e robôs substituiriam as atividades rotineiras e repetitivas, forjadas em princípios Tayloristas como o da especialização do trabalho, prejudicando os trabalhadores com pouca qualificação, ou forçando-os a se capacitarem. Hoje, porém, se percebe que sutilmente o processo foi além dessas atividades, sendo geralmente interpretado como uma evolução natural das exigências empresariais.
Uma reflexão, entretanto, isenta da perspectiva capitalista de lucro como objetivo final das organizações, mas que considere os fatores sociais, nos permite entender que há um novo paradigma instalado, massacrante das tradicionais formas de trabalho e das relações interpessoais dele decorrentes.

Hoje, por exemplo, o antigo contato com o caixa de uma agência bancária, onde além de pagar as contas, receber e efetuar outras transações bancárias, muitas vezes era normal o vínculo de amizade, de identificação do cliente com o funcionário atendente, foi substituído por um conjunto de botões e uma tela “touch screem” resolvem a maioria das operações.
Alguns podem interpretar que isso também é conseqüência da correria do dia-a-dia, da falta de tempo, do acúmulo de compromissos, e essa mudança foi para atender as novas necessidades sociais. Uma análise pela contra-mão também é possível: essa mudanças também contribuem para o aumento da correria cotidiana.

De qualquer forma, postos de trabalho são extintos definitivamente, e não por condições transitórias. Ao mesmo tempo, um volume enorme de pessoas está buscando qualificação. Uma massa de pessoas qualificadas permite às empresas selecionar rigorosamente seu pessoal, estipular suas condições de trabalho (pressão por contratos flexíveis é um exemplo) e impede ou dificulta as pressões por aumentos salariais, colocando mais uma vez a lucratividade como prioridade sob o social.

Para Aoki (2006), dados da ONU informam que o mundo tem 88 milhões de jovens desempregados. O estudo “tendências globais do emprego para a juventude”, elaborado em 2004 pela Organização Internacional do Trabalho, mostra que o crescimento do número de jovens está superando a capacidade das economias de prover emprego para eles.

A questão é: Não se busca uma utópica conscientização de abandonarmos o uso das facilidades tecnológicas, mas sim, uma reflexão em até que ponto as facilidades e as exigências cada vez maiores da sociedade da informação e da tecnologia, fundamentada na concorrência e no lucro, serão sustentáveis, não apenas econômica, mas também socialmente ?

Fonte dos dados:
http://www.bancarios.com.br/blog/?p=686
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=688636&tit=Tarifa-bancaria-ja-responde-por-20-do-faturamento-dos-bancos
AOKI, Virgínia. Projeto Araribá:Geografia. 7ª série. São Paulo: Moderna, 2006, p.42.

2 comentários:

  1. Achei muito interessante o site , acho q fico bem legal.

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    1. Obrigado Taís !
      Em breve mais conteúdos, especialmente voltado à Geografia Escolar.
      Sugestões são sempre bem-vindas !

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