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Só a educação (para formar mão-de-obra barata) não basta !

Como em todas as vésperas de eleições, os candidatos políticos revelam suas idéias (e implicitamente suas ideologias) e suas propostas para atender aos interesses da sociedade, enquanto atendem aos seus próprios interesses, pois nenhum está isento de intenções particulares. A própria candidatura é a prova, que se torna o meio de atender alguma necessidade (de status, de poder ou meramente econômica, a mais óbvia de todas).

Entre as diversas propostas, aparece como solução para a quase totalidade dos problemas sociais e econômicos, o acesso à educação. Chama a atenção o fato de que empresários candidatos defendem esta bandeira nos seus discursos, porém na prática, as ações destes mesmos discursantes somente serão efetivadas se trouxerem benefícios adjacentes aos seus próprios interesses.

Grosso modo, se o Estado investir em educação profissionalizante para todos, haverá um excedente de mão-de-obra qualificada, muito maior que a capacidade das empresas empregarem. Este excedente de profissionais dará poder para que as empresas aumentem suas exigências por qualificação (obtendo vantagens em termos de produtividade com isso e aumentando por conseguinte a concentração do lucro e as desigualdades numa abordagem mais global) e anulará qualquer forma de pressão social por melhoria salarial ou por melhores condições de trabalho.

Ou seja, se algum empregado não alcançar os padrões sempre crescente de exigência das empresas ou se não estiver satisfeito com as condições, haverá milhares de outras pessoas ávidas por ocuparem o seu lugar
Ora, para um empresário, é conveniente propor a educação profissionalizante como panacéia. Isso atende aos seus interesses particulares. Porém, para atender aos anseios da sociedade, não basta haver mão-de-obra qualificada. É necessário que haja investimentos na geração de empregos. Para que qualificar as pessoas se não há onde elas trabalharem, principalmente em condições satisfatórias ?

A geração de empregos é a prioridade lógica para amenizar os problemas sócio-econômicos. Havendo emprego, as pessoas terão renda. Com isso, melhores condições de vida, condições materiais e intelectuais e motivação para se qualificarem. Inclusive as empresas podem qualificar seus colaboradores naquilo que for necessário e útil para a consecução de seus objetivos, explorando menos o Estado, tratado como ferramenta para a geração de vantagens favoráveis para os empresários, que por sinal, sempre reclamam da carga tributária que mantém o próprio Estado que os auxilia.

A educação, sem dúvida é importante, dada sua contribuição com a formação plena do cidadão, tornando-o crítico e responsável. Entretanto, ela não pode se resumir em um instrumento utilitarista, cujo fim está em formar mão-de-obra farta e barata para as empresas que sobrevivem da exploração do trabalhador.

Educação para formar e libertar, não para escravizar. Esta deveria ser a meta. Então, é hora de pensarmos racionalmente na hora de votarmos, e vermos quais propostas atendem aos interesses da sociedade e quais propostas atendem aos interesses particulares.

Assim, se não houver nenhum político realmente preocupado com a sociedade e isento de usar sua posição para obter vantagens para si ou para seu grupo, que saibamos ponderar e escolher aquele cujas propostas trarão vantagens para a maior parcela da sociedade, afinal, é sob esta forma de representatividade que repousa nossa democracia.

Um comentário:

  1. A lógica diz que uma é decorrente de outra. A educação, a qualificação de pessoas com a boa cultura, é fundamental para a geração de mão de obra e para a geração de mais empresas. Não é a oferta de emprego que gera a exigência de mão de obra qualificada. Essa mão de obra qualificada, gente que sabe fazer alguma coisa, é fundamental para o desenvolvimento social. Com ela mais empresas são criadas, e, além disso, muita oferta de emprego. O desenvolvimento do ser humano ocorreu com o domínio do uso (educação) de ferramentas para atender suas necessidades. Hoje, como sempre, a educação é fundamental para o ser humano aprender a obter as coisas da vida. Antes de serem empresárias ou empregados as pessoas passaram por um aprendizado que direcionaram suas vidas.

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