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Parcialidade da mídia ou mero ponto de vista ?

Por mera dedução, já podemos supor que a imparcialidade e objetividade,  seja jornalística ou até mesmo de conteúdos científicos, é um mito. É uma utopia positivista. Afinal, até mesmo nas ciências, é o pesquisador que escolher o objeto de pesquisa, a perspectiva a ser analisada e o referencial teórico que sustenta sua tese. O que dizer então dos meios de comunicação ?

No mínimo, os meios de comunicação deveriam buscar a razoabilidade. Apresentar o contraponto, esclarecer os motivos de seu posicionamento. Mostrar notícias e não simplesmente promover propagandas. Claro, cabe também ao leitor desenvolver seu senso crítico, compreender o contexto dos fatos. E isso exige além de uma
escolarização utilitarista e meramente para formação profissional, como defendem alguns.


Talvez como consequência deste contexto de abundância informacional (em termos quantitativos, nem sempre qualitativos), as redes sociais (excluindo as fotos e postagens narcisistas, sem o mínimo de sentido sociopolítico) são os principais meios de informação (apesar da superficialidade e do grande conteúdo irrelevante) de muitos, consumindo um grande percentual do tempo total de leitura. Um meio de informação que ao mesmo tempo é um meio de comunicação.

E é nesta dimensão ambivalente (informação e comunica/ação) que repousa sua atratividade. Quem posta algo, seja um adolescente contando que irá para uma festa ou a manchete de um grande veículo de comunicação analisando a conjuntura econômica, abre instantaneamente um canal de comunicação.

Hoje temos a possibilidade dos leitores concordarem e discordarem, seja da notícia, seja entre si. É a interatividade. É a troca, de informação, de ideias, de ideologias, de boatos... E onde há a circulação de informação, há a mudança de pensamento, ou pelo menos, a possibilidade dela.

Quem sabe seja uma das causas pelas quais os comícios perderam o foco e saíram de cena. O maior rigor da legislação eleitoral é mera consequência da mudança social e não causa. Eles se tornaram obsoletos diante do novo contexto dinâmico de profusão de ideias. E por isso, as eleições cada vez mais são disputadas no duelo de informações, desinformações que ganham impulso e "viralizam" nas redes sociais.

Redes sociais, que não se pode esquecer, são alimentadas por pessoas. Pessoas que não estão imunes às manipulações das informações repassadas por marqueteiros, cientistas, por revistas e jornais, muitas vezes, não isentos. Por pessoas que convencem pessoas !

Por isso, é fundamental irmos além da superficialidade dos discursos. De confrontar as informações repassadas. De procurar enxergar os fatos em suas diferentes perspectivas. E há tantas perspectivas para se olhar !

Uma simples foto pode dizer muito. Quais os motivos da sua escolha ? O que ele representa ? De que forma representa ? É espontânea ou preparada ? É ilustrativa, informativa, é arte ou uma propaganda, às vezes, disfarçada ? É real, é montagem ? Está em seu contexto original ? Isso sem considerar os aspectos psicológicos de quem a observa, as experiências pessoais, os valores, enfim, tudo que influencia na percepção.

Que tal antes de comentar a próxima postagem, se perguntar: Em que contexto a informação foi repassada ? Quem a produziu ? Com que finalidade ? A quais influências seu produtor estava sujeito ? O que se apreende ao confrontar tal fato com outros ? 


Pensando dessa forma, talvez consigamos respeitar mais as opiniões alheias, entendendo-as na perspectiva do outro, com empatia. Talvez consigamos distinguir fato de opinião sobre o fato, de narrativa do fato. Talvez consigamos entender melhor os interesses por trás dos discursos políticos e votar melhor, exercer melhor nossa cidadania. Talvez consigamos ser mais tolerantes...

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